Rio Jacuípe

Avenida Presidente Dutra - Feira de Santana

Avenida Presidente Dutra em Feira: origens e modificações históricas

Existe um argumento de autoridade nas cidades brasileiras que sempre é evocado por pessoas que foram as primeiras a povoar determinada localidade. É comum encontrarmos pessoas que normalmente soltam um bom: “quando eu cheguei aqui era tudo mato!”. A frase mais do que nos mostrar que estamos diante de uma pessoa que acompanhou o desenvolvimento daquela rua, avenida, bairro, cidade desde os primórdios. Serve também para nos lembrar que o espaço urbano está em constante modificação: seja pela construção de novas edificações ou pela derrubada de prédios antigos, instalação de iluminação pública, construção de túneis, passarelas, viadutos etc. Sob qualquer

Casarão Froes da Mota

Casarão da Fróes da Motta tem inspiração alemã

Daquilo que ainda resta do rico patrimônio arquitetônico da Feira de Santana se destaca o casarão do intendente Eduardo Fróes da Motta. O imóvel fica na rua General Câmara, aquela que liga as praças Fróes da Motta e Nordestino, no centro da cidade. A construção é antiga e imponente: quem transita ali, pela rua estreita, não deixa de se impressionar com o porte, com os detalhes caprichados, com o padrão difícil de se ver no município, mesmo na primeira metade do século passado. Não é para menos: quem teve a iniciativa da construção foi Agostinho Fróes da Motta, em 1902.

Larissa Rodrigues

Entrevista com Larissa Rodrigues [Feirenses TV]

O debate sobre a representatividade das mulheres vem crescendo em diversos setores da sociedade, principalmente naqueles onde o homem manteve-se hegemônico ao longo da história (notadamente lugares de poder). Na política, por exemplo, o Brasil ostenta a marca de ter apenas 10,5% de mulheres no Congresso Nacional, mesmo tendo uma população 51% feminina. Nas artes o cenário não é diferente: segundo a professora de literatura e feminista feirense Larissa Rodrigues, de um total de publicações no mercado editorial brasileiro, apenas 30% obras são de autoras mulheres. É nesse contexto que surge o projeto “Leia Mulheres”, um projeto que tem como

Três anúncios para um crime

Cine Debate em Feira sobre “Três anúncios para um crime”

No próximo dia 15 de setembro os cinéfilos feirenses terão a oportunidade de participar de um Cine Debate sobre um dos filmes mais prestigiados do ano: “Três anúncios para um crime”, que conta a história de Mildred Hayes (Frances McDormand), que inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo brutal assassinato de sua filha decide chamar atenção para o caso não solucionado alugando três outdoors em uma estrada raramente usada. Veja o trailer do filme:   No Cine Debate, a discussão gira em torno de uma sociedade na qual as relações mostram-se cada vez mais fragilizadas pela vida acelerada, e explana sobre

Fervura Feira Noise

Fervura Feira Noise antecipa o maior Festival de Artes Integradas da Bahia

O Feira Noise – Festival de Artes Integradas, anunciou oficialmente as datas da sua oitava edição, que acontece entre os dias 23 a 25 de novembro, no Centro de Cultura Amélio Amorim, aqui em Feira. Apesar da programação do festival ainda não ter sido divulgada, o Feira Coletivo Cultural, produtora que assina o evento, realiza no próximo dia 7 de setembro a primeira edição do Fervura Feira Noise 2018, com a apresentação de grandes atrações a partir das 21h, no Jhonnie Club (Rua São Domingos). A banda feirense Sofie Jell se junta ao cantor e compositor Balaio, de Vitória da

Quando um suicídio deixou de ocorrer em Feira

É possível que Maria, 14 anos, tenha conhecido João, 18, na escola. Talvez ela seja do sétimo ano fundamental (antiga sexta série), e ele do segundo ou terceiro ano do ensino médio, após perderem alguns anos. Ficar com um menino do ensino médio pode ter sido uma alternativa aos menos interessantes colegas da mesma idade – as meninas sempre estão à frente dos meninos.

Não é difícil que o olhar de João tenha se encantado pela “novinha”. Quem sabe uma festa da escola, um pagode no bairro. Troca de WhatsApp, comentário na foto do “Face”. Daí para o beijinho, acompanhar até perto de casa. Até que “rolou”. No improviso, na curiosidade, na paixão quente, irresponsável e intensa.

Maria engravida. João é pai.

Embora todo o resto da história, e o nome dos personagens, não passe de exercício criativo de ficção, o final é real e concreto: Maria, 14 anos, é mãe. João, 18 anos, é pai. Dois jovens feirenses que se desentenderam na última semana, tendo entre eles a filha de apenas 6 meses.

Maria chegou por volta das 11h30 à Base Comunitária da Polícia Militar do bairro George Américo, desesperada, pois João lhe tinha tomado a filha, um bebê ainda em amamentação. Para tentar mediar o conflito, quatro policiais militares foram à casa onde estava João, no bairro Campo Limpo: o Sargento Natanael e os soldados Rios, Rafael e Nunes.

“Mas esse não é o instinto policial, que muitas vezes é movido por um sexto sentido inexplicável”

João estava perturbado, choroso, nervoso. “Ninguém vai tirar minha filha de mim”, dizia aos policiais. Após insistirem, João finalmente entrega o bebê aos militares, e se recolhe no interior da casa.

Nesse momento, o problema estava resolvido. O senso comum se aliviaria com o bebê entregue a sua jovem mãe. Era apenas uma briga de casal como tantas que surgem no dia-a-dia de qualquer policial. Cada um no seu canto esfriaria a cabeça, e depois tudo seguiria bem.

Mas esse não é o instinto policial, que muitas vezes é movido por um sexto sentido inexplicável, levando-o a detectar tonalidades muito difusas da ocorrência em que está inserido. Após entregarem o filho a Maria, acalmando-a, o sargento e os três soldados entraram na casa de João, e o encontraram pendurado, com uma corda no pescoço, já em processo de enforcamento.

Os policiais militares seguraram João e cortaram a corda, salvando seus 18 anos de vida. Por pouco.

Em um novo exercício criativo, dessa vez para conceber o futuro, vários caminhos são possíveis para João, Maria e sua filhinha. Alegrias, tristezas, medos, esperanças, tédios ou ânimos.

A boa notícia é que todas as possibilidades estão disponíveis, pois a vida ainda existe. Graças à ação de quatro policiais militares, que nem sempre são percebidos por aquilo que evitaram, pois não existe estatística para o que deixou de ocorrer.


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