Rio Jacuípe

Feira no ranking da Transparência

Feira (A)notada: Feira vai mal em ranking da transparência – e outras notas

Feira ocupa a 387ª posição em ranking nacional de transparência O Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) divulgaram, na última quarta-feira (12), o resultado da Escala Brasil Transparente (EBT) – Avaliação 360°. Feira de Santana ocupa a 387ª posição. Salvador ficou na 168ª colocação. Vitória da Conquista, na 4ª posição, foi a cidade baiana mais bem colocada. No total foram avaliados 665 municípios e 27 estados. MP Eleitoral move ação contra a diplomação de Targino Machado O deputado estadual Targino Machado é alvo de ação de investigação judicial pelo Ministério Público (MP) Eleitoral. O parlamentar participou da cerimônia de

São José das Itapororocas (Maria Quitéria): passado e presente

Os mitos fundacionais de uma cidade/civilização são sempre cercados de muitos personagens, estórias, acontecimentos, perseguições, guerras e muitas reviravoltas. No caso dos mitos fundacionais das cidades brasileiras quase todos são contados levando como ponto de partida a chegada do colonizador, a expulsão dos povos indígenas nativos e a construção de igrejas, estradas, fortes e pequenas povoações. O mito fundacional comumente conhecido da cidade de Feira de Santana é aquele ligado à história da doação das terras para a construção da capela em devoção à Sant’Ana no Alto da Boa Vista, por Domingos Barbosa de Araújo e sua esposa Ana Brandão,

Pá Rua?

Pá Rua?

Outro dia, peguei Robson. Não exatamente “peguei”, no sentido em que vossas consagradas cabeças maliciosas estão pensando. Eu não botei minha língua na boca dele. Robson é ligeirinho. Eu usufrui de seus serviços clandestinos de transporte alternativo. É sempre uma viagem andar com Robson. Porque ele é o mais atípico dos ligeirinhos. É o mais lento, mas o mais organizado. Ele transforma um Fox em minivan e leva 70 pessoas — confortavelmente. Para honra e glória de Oxalá, eu fui na frente. Sozinho. Uma raridade, às 7 da manhã no Parque Lagoa Subaé. Meu bairro não é dos mais populosos,

Rua Marechal em mão única

Feira (A)notada: Marechal em mão única e novidade na Câmara

Lulinha entrega o cargo de Líder do Governo Após alguns colegas vereadores manifestarem a insatisfação com o líder do governo na Câmara Municipal de Feira de Santana, o vereador Luís Augusto (Lulinha), do DEM, entregou o cargo durante discurso na Sessão desta terça-feira (11). 10 anos do Museu Parque do Saber No próximo dia 15 de dezembro, o Museu Parque do Saber Dival da Silva Pitombo estará completando uma década de existência. E, para comemorar, foi realizada na terça-feira (11) uma homenagem especial a todos os envolvidos com o projeto inicial. O evento contou com as presenças do prefeito Colbert

Tourinho Candidato

Tourinho candidato, cubanização de assessores e toma lá da cá

Tourinho Candidato Surgiu mais um nome interessado no Paço Municipal em 2020. O vereador Roberto Tourinho, atualmente filiado ao PV, confirmou ao site Acorda Cidade que tem discutido o assunto.  Com sete mandatos, Tourinho é um dos políticos mais respeitados de Feira de Santana e filho de um ex-prefeito, o advogado José Falcão da Silva, que morreu durante o exercício do mandato. Ele se junta a nomes como Fernando Torres, Zé Neto, Zé Chico, Colbert Filho, Angelo Almeida, Carlos Geilson e Targino Machado que também se movimentam para disputar a prefeitura feirense. Toma lá dá cá Ao colocar o cargo

Remédios Monteiro: o “prefeito” de Feira que tinha origem Indiana

No Século XIX o presidente do conselho municipal exercia função parecida com a dos atuais prefeitos em Feira de Santana. Estamos falando de uma época onde a escravidão ainda existia (até 1888), e a transição do Império para a República ia ocorrer (apenas em 1889). No início desse século, viria para o Brasil um casal de indianos pais daquele que seria o último presidente do conselho municipal de Feira de Santana, Joaquim dos Remédios Monteiro. Depois dele, iniciaria a época dos intendentes, substituídos contemporaneamente pelos prefeitos.

Joaquim dos Remédios Monteiro nasceu a bordo do navio “Nossa Senhora do Socorro”, em 16 de novembro de 1827, no trajeto entre Goa (um estado indiano) e o Brasil. O futuro “prefeito” de Feira era filho de Joaquim Eleutério Monteiro e de Maria Thereza Monteiro, tendo ele nascido em Loutulim de Salcete, na Índia portuguesa, e ela em Bombaim, na Índia inglesa. Porém, não traziam sangue europeu nas veias, sendo ambos de origem brâmane. Casaram-se em 1826.

Joaquim Monteiro estudou em Lisboa, dominava perfeitamente o inglês e o francês, possuindo também grandes conhecimentos de náutica. Faleceu aos 76 anos, sendo sepultado em 1872, no cemitério de São Francisco de Paula, no Rio de Janeiro. Algum tempo depois falece a Maria Monteiro, em 1874, aos 65 anos.

Já aqui no Brasil, Joaquim Monteiro formou-se em 1851 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Para obter o grau de doutor, dissertou sobre o seguinte ponto: “Digitalis purpurea; sua acção physiologica e therapeutica” , sorteado pela própria faculdade, pois naquela época não era dado o direito ao aluno de escolher o tema da dissertação.

Depois de formado,  deslocou-se para a cidade de Resende, no interior do Rio de Janeiro, onde clinicou por cerca de quatro anos. Em seguida viajou a Paris, em 1855, pretendendo aperfeiçoar seus estudos, passando dois anos na capital francesa.

Três anos depois, em setembro de 1858, Joaquim Remédios Monteiro casa-se com Maria Christina de la Sierra Pereira, filha do chefe de divisão Manuel Francisco da Costa Pereira, e de D. Maria Manuela de la Sierra Pereira, naturais de Montevidéu. Vão morar em Resende, ainda no Rio de Janeiro. Mas em 1860, acometido de uma hemoptise, ele muda-se com a família para Desterro, capital na época da província de Santa Catarina. Sem conseguir se livrar da enfermidade, acabou retornando para Resende, quando nasce sua única filha, Elvira Monteiro.

Dr. Remédios exerceu sua profissão, por todos os lugares onde trabalhou. Um de seus melhores amigos, o Visconde de Taunay (que foi membro da Academia Brasileira de Letras), assim o referencia: “O Dr. Joaquim dos Remédios Monteiro, que residiu largos annos em Santa Catharina, ali deixou reputação tão alevantada, quanto sympathica pelos muitos beneficios prestados com a maior abnegação a todas as classes da sociedade.”

Em 1875 Remédios Monteiro vai para Salvador. Com a saúde muito debilitada, presta serviços à Gazeta Médica da Bahia, sendo seu redator a partir de 1876. Publica vários artigos sobre temas diversos: transfusão do sangue, vacina, apontamentos para a história natural do cordão do frade, ensino médico, Pasteur e suas doutrinas, caso de soluço curado pelo jaborandi, A Feira de Santana como sanatório de tuberculose pulmonar, dentre outros.

A chegada em Feira de Santana

Ele escolhe então, em 1979, viver em Feira de Santana, principalmente por causa do clima, que se acreditava bom para a sua tuberculose. Aqui ele trabalhou muito pela higiene pública: promoveu o asseio e o calçamento das ruas, abriu praças, recebendo uma delas o seu nome (a atual praça dos Remédios – ou Praça Remédios Monteiro), e construiu  um novo matadouro público.

Remédios também cuidou da educação popular, criando a Biblioteca Municipal de Feira de Santana. Outra questão que lhe preocupava muito era a questão da escravatura. Abolicionista convicto, escreveu em diversos jornais sobre o tema, tanto na Bahia quanto no Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea, ele publica uma obra intitulada “Fundo Municipal de Emancipação”, que trata do seguinte modo a escravidão:

“Chegamos a uma época, a um momento em que não é permitido cruzar os braços. No mundo antigo haviam escravos pelo direito de guerra. Na sociedade moderna, o homem é escravo pela avidez do ganho, pela especulação interessada.” 

Veja a obra completa (disponível no acervo da Biblioteca Nacional):

A professora Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz, da UEFS, é a principal pesquisadora sobre a vida e obra do Dr. Remédios Monteiro, autora do livro “A escrita autobiográfica de doutor Remédios Monteiro”, foi quem estudou a fundo as memórias do médico, através de um diário descoberto em 1996, juntamente com outros documentos antigos que faziam parte da coleção pessoal do Monsenhor Galvão, fundador da UEFS. Antes de morrer, o monsenhor, que gostava de reunir documentos raros, doou o acervo para o museu Casa do Sertão, localizado no campus da universidade.

A maior parte das informações contidas neste post tem como fonte o trabalho da professora Rita de Cássia. A seguir, uma das páginas do diário de Remédios Monteiro:

Diário de Remédios Monteiro

Em 29 de setembro de 1887, em Feira de Santana, aos 58 anos de idade, morre sua esposa, D. Maria Christina. Em 4 de julho  de 1901 faleceu Dr. Remédios Monteiro, deixando saudades àqueles que sempre o respeitaram e o admiraram.

 

Fontes: Jornal A Tarde, Adilson Simas, Dimas Oliveira, Professora Rita de Cássia, Blog Médicos Ilustres.


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