A “meia década” perdida da Saúde em Feira

Os repasses para a Saúde em Feira de Santana tiveram leve elevação em relação aos anos anteriores, nos primeiros nove meses de 2019. O problema é que a base anterior é modesta, decorrente da prolongada crise econômica que abalroou o País – e as contas públicas – a partir de meados de 2014. Desde janeiro, foram aportados R$ 144,5 milhões em transferências obrigatórias e voluntárias. Os dados são do Portal da Transparência e referem-se, em toda a análise, aos nove primeiros meses de cada ano. A correção ocorreu com base no Índice de Preço ao Consumidor Amplo, o IPCA.

Ano passado, nos estertores da controversa gestão de Michel Temer (MDB-SP), foram repassados R$ 137,9 milhões. Corrigido, o valor alcança R$ 142,7 milhões.  A diferença, em valores reais, corresponde a 1,26%. Os otimistas dirão que o novo regime está apenas começando e que os valores devem crescer. Os pessimistas lembrarão que, ano passado, prometeram-se maravilhas com o fim da “mamata” e da corrupção. Haveria, então, dinheiro para tudo.

Em 2017 o valor repassado – R$ 137,9 milhões – foi até maior que o total do ano seguinte, atualizando o montante pela inflação: R$ 143,5 milhões em valores correntes. Representou uma suave melhora em relação aos dois anos anteriores, quando o País amargou mais de 7% de retração no Produto Interno Bruto, o PIB.

Em 2015, foram repassados R$ 140,3 milhões em valores atuais. No ano seguinte – também em valores corrigidos – o declínio foi ainda mais dramático: R$ 131,3 milhões. Além da crise econômica, nesse ano o quiproquó político se aprofundou no Brasil, com a deposição de Dilma Rousseff (PT), num polêmico processo de impeachment e a ascensão do emedebismo com sua agenda que não passou pelo crivo das urnas.

“O pior de tudo é que a festejada PEC do Teto de Gastos limita as despesas correntes aos valores corrigidos pelo IPCA.”

A situação foi relativamente melhor até 2014: naquele ano, foram repassados para a Saúde na Feira de Santana R$ 113,8 milhões. O montante, corrigido até agosto de 2019, equivale a R$ 150 milhões. É mais do que o repasse atual, conforme apontado acima. E mais do que todos os valores repassados nos últimos anos, conforme também se observou acima.

Esses números permitem uma constatação desoladora: há pelo menos cinco anos o município recebe menos do que recebia em 2014 para a Saúde. Faz sentido, portanto, falar em “meia década perdida” na Saúde. Cinco anos que devem se estender nos exercícios seguintes, já que não há qualquer perspectiva da situação melhorar nos próximos anos.

O pior de tudo é que a festejada PEC do Teto de Gastos limita as despesas correntes aos valores corrigidos pelo IPCA. Não haverá, portanto, aumento real. A não ser, claro, que se retire de algum lugar para privilegiar a Feira de Santana, o que é altamente improvável no médio prazo. Isso significa dizer que, em termos de recursos, a Saúde na Feira de Santana vai seguir na mesma toada atual.

Os efeitos dessa política são constatáveis, por exemplo, no aumento de casos de dengue aqui e em inúmeros municípios, caracterizando epidemia. Ou o retorno do sarampo e da febre amarela Brasil afora. Resta ter fé e aguardar o prometido paraíso liberal nas próximas curvas do caminho. Conforme se vê, a propósito, no Chile convulsionado…

Caem repasses da União para Feira em 2019

Feira de Santana desfruta de pouco prestígio junto ao governo de Jair Bolsonaro (PSL-RJ), o “mito”. Pelo menos é o que sinaliza a queda nos repasses da União para o município nos primeiros nove meses do ano, em comparação com o mesmo intervalo dos dois anos anteriores. Os números são oficiais, do Portal da Transparência. É bom ressaltar o detalhe, numa época em que muita gente não hesita em duelar com os números para defender suas fantasias.

O valor total transferido, entre janeiro e setembro, cravou R$ 274 milhões. No mesmo período de 2018, foram R$ 287,1 milhões. No ano anterior, 2017, o valor nominal foi inferior: R$ 273,7 milhões. Só que, corrigido pela inflação – o IPCA entre setembro de 2017 e agosto de 2019 foi 7,7% – totaliza R$ 294,9 milhões.

Em nove meses, portanto, foram R$ 13,1 milhões a menos na comparação com o ano passado: algo próximo de R$ 1,45 milhão todo mês. O número é bem mais desfavorável quando a comparação é com o ano anterior, 2017: R$ 2,32 milhões por mês. O valor total corrigido é respeitável: R$ 20,9 milhões.

“A queda maior aconteceu justamente nas transferências voluntárias”

As transferências se subdividem em dois grandes grupos: as legais e voluntárias e as constitucionais e royalties. A queda maior aconteceu justamente nas transferências voluntárias – aquelas que ocorrem como cooperação, auxílio ou assistência financeira, sem determinação constitucional ou legal–, que não passou de R$ 146,3 milhões em nove meses de 2019.

No ano anterior, totalizou R$ 160,1 milhões no mesmo intervalo. E, em 2017, mesmo sem a correção inflacionária, o repasse nominal foi maior, R$ 147,5 milhões. Quem tem fé inabalável certamente aposta que no último trimestre essa diferença será corrigida, já que o “mito” e seu ministro da Economia – aquele que apelidaram de “Tchutchuca” – são entusiastas de um novo pacto federativo que pretende ampliar os recursos transferidos para os municípios.

Repasses constitucionais

Os repasses constitucionais – aquelas que ocorrem por dispositivos da Constituição – e royalties registraram leve elevação nominal: totalizaram R$ 127,6 milhões em nove meses. Nos dois anos anteriores – 2017 e 2018 – os totais foram muito próximos: R$ 126,2 milhões e R$ 126,9 milhões respectivamente.

Deflacionando os valores, porém, vai se verificar redução real também. Os valores de 2017, atualizados, equivalem a R$ 136 milhões. Já o total repassado no ano seguinte alcança R$ 131,2 milhões. Parte desses recursos envolve o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Conforme se observa, os valores reais estão em queda.

Somando tudo, são R$ 16,7 milhões a menos em relação a 2018. E assombrosos R$ 29 milhões em relação a 2017. Com esse dinheiro, dava para fazer muita coisa por aqui. É visível que o alinhamento do governo municipal com o novo regime não foi suficiente para aportar mais recursos por aqui.

Touro era campeão baiano há 50 anos

Está passando meio despercebido, mas outubro marca os 50 anos do último título de campeão baiano do Fluminense de Feira. Poucos que acompanharam – como testemunhas – aquelas memoráveis jornadas ainda estão vivos. Notícias da época apontam o Touro do Sertão como protagonista de uma campanha brilhante, sob a inspirada condução do atacante Freitas, que marcou o gol do título do tricolor feirense. Vice-campeão no ano anterior, o Fluminense atropelou Bahia e Vitória e se sagrou vencedor por antecipação.

No dia 5 de outubro de 1969 houve rodada dupla na Fonte Nova: o Touro encarou o Vitória e o Bahia, na preliminar, foi pra cima do Flamengo de Ilhéus. Com três pontos de vantagem sobre o tricolor da capital, bastava ao Fluminense vencer o Vitória para assegurar a taça.

Como sempre, a partida foi antecedida por polêmicas. É o que registra o Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, naquela mesma data: “Durante toda a semana que passou os torcedores baianos viveram dias de tensão, principalmente porque um dos dirigentes do Bahia declarou que era intenção do seu clube premiar os jogadores do Vitória”.

Fluminense de Feira - Campeão Baiano

A promessa não foi bem recebida pela diretoria rubro-negra, segundo a mesma matéria: “A diretoria do Vitória reagiu prontamente declarando que qualquer jogador que aceitasse o ‘bicho’ oferecido pelo Bahia seria multado em 60% dos seus vencimentos”.

Nem precisou: aos 27 minutos do segundo tempo, Freitas – que, logo na sequência, foi contratado pelo Botafogo carioca graças às suas exibições na competição – marcou o gol da vitória tricolor sobre o rubro-negro da capital. O ataque do time feirense impunha respeito: foram 61 gols em 32 jogos ao longo da competição.

A torcida do Bahia, que permaneceu no estádio após a vitória do tricolor sobre o Flamengo de Ilhéus por 1 a 0, na preliminar, foi forçada a testemunhar o segundo título baiano do Touro do Sertão num intervalo de seis anos. Ironicamente, torcendo pelo arquirrival Vitória, que não conseguiu, sequer, segurar o empate…

Desemprego permanece assombrando Feira

Nos oito primeiros meses de 2019 a Feira de Santana continuou perdendo postos formais de trabalho. Isso quando se considera o saldo entre contratações e dispensas. No intervalo entre janeiro e agosto houve 23.221 admissões e 23.573 demissões. No saldo, esfumaçaram-se mais 352 postos. Os dados são oficiais, do Ministério da Economia. Não dá, portanto, para contestarem a veracidade das informações, conforme virou moda nos últimos meses.

A construção civil segue reduzindo seu estoque de mão-de-obra. No período, foram dispensados, no saldo, 134 serventes, o popular ajudante de pedreiro. Os pedreiros propriamente ditos foram um pouco menos afetados: perderam, também no saldo, 121 postos. Foi monumental a redução de pessoal no setor desde 2015, mas, mesmo assim, as demissões continuam.

“O persistente engasgo econômico não poupou um ofício que gera muito emprego na cidade: vendedor de comércio varejista”

Houve, porém, profissões que foram ainda mais afetadas em 2019. É o caso do operador de telemarketing. No período, o saldo entre admissões e demissões resultou em 302 empregos a menos. Note-se que o ramo gerou muita oportunidade e, na crise, encolheu relativamente menos por aqui.

O persistente engasgo econômico não poupou um ofício que gera muito emprego na cidade: vendedor de comércio varejista, o comerciário. No mesmo intervalo de janeiro a agosto perderam-se, no saldo, 218 postos. Muitos gerentes administrativos também foram penalizados no período: 55 postos de trabalho, no saldo, deixaram de existir.

Drama

Circulando pela cidade é possível intuir o drama. No centro comercial, são muitas as lojas fechadas. Até 2014 havia disputa intensa pelos espaços mais atraentes. Hoje, muitos deles estão fechados e as fachadas se deterioram. Não é incomum encontrar nas avenidas Presidente Dutra ou Getúlio Vargas sequências com placas de “aluga-se” ou “vende-se”, uma ao lado da outra.

Aquele ímpeto da construção civil também arrefeceu. Condomínios e até mesmo bairros inteiros surgiram no boom do setor imobiliário, até a metade da década. A partir de 2015 houve uma drástica redução de lançamentos. Mesmo assim, muitos prédios permanecem quase vazios, porque ninguém se lança à aventura de financiar um imóvel num período de incertezas políticas e estagnação econômica.

“Construções sem pintura e revestimento – alguns têm até vergalhões expostos – reforçam a sensação do engasgo econômico.”

Na habitação popular é possível ver prédios inacabados, aguardando incertos repasses governamentais. Os ajustes nas contas públicas alvejaram exatamente esses financiamentos, que atendem a população mais pobre. Construções sem pintura e revestimento – alguns têm até vergalhões expostos – reforçam a sensação do engasgo econômico que sucedeu o efêmero soluço de prosperidade.

Apesar de toda a crise, o debate sobre a situação do mercado de trabalho segue como tabu na Feira de Santana. Não se convocam discussões, não se visualizam alternativas, não se busca compreender o desastre em profundidade. Finge-se, simplesmente, que ele não existe, embora seja real e esteja aí, à vista de todos.

O fulgurante Shopping da Cidade em Teresina

Em Teresina existe um imponente Shopping da Cidade. É um centro de comércio popular no qual se mercadeja, sobretudo, produtos importados da China. Dispõe de três pisos, praças, dezenas de corredores e quase dois mil boxes que abrigam uma variedade ampla de produtos. Fica muito bem localizado, na Praça da Bandeira, que abriga um terminal de ônibus e uma estação de trem. Basta atravessar a avenida Maranhão para se alcançar a orla do rio Parnaíba, encoberto por uma vegetação densa.

Caso pretenda visitar o entreposto, o turista desatento não vai enfrentar dificuldade: qualquer cidadão indica – com a amabilidade habitual do piauiense – a localização. Sob as árvores altas e esguias da Praça da Bandeira o visitante pressente a lufa-lufa habitual de centros comerciais do gênero. Do lado do Shopping da Cidade fica a estação do VLT, inaugurada recentemente, que conecta o centro à periferia da capital.

“A lógica dos boxes é similar, boa parte dos produtos é idêntica e até mesmo a disposição das mercadorias nos mostruários é parecida.”

Quem está acostumado a frequentar centros de comércio popular – sobretudo em capitais como São Paulo ou Rio de Janeiro – não se surpreende. A lógica dos boxes é similar, boa parte dos produtos é idêntica e até mesmo a disposição das mercadorias nos mostruários é parecida. Naquele circuito, quase tudo é importado da China. É ocioso apontar que até os preços oscilam em faixas semelhantes.

Quem deseja fazer um lanche nos intervalos das compras encontra as mesmas chapas que fritam hambúrgueres e idênticos carrinhos de cachorro-quente, visíveis em tantos lugares. Variedade só nos pratos-feitos apregoados na praça de alimentação. Uma refeição gordurosa qualquer sai por cerca de dez reais, às vezes menos.

Várias opções

Prestando atenção o visitante descobre até que muita gente do interior do Piauí e do vizinho estado do Maranhão – Teresina fica exatamente na fronteira com este estado – acorre ao entreposto, inclusive aos sábados. Vão em busca de preços atraentes para produtos de que necessitam. Alguns percorrem dezenas de quilômetros para comprar mais barato.

As opções são incontáveis: confecções variadas, eletro-eletrônicos, acessórios para celular, calçados, doces típicos do Piauí – o de buruti, em barra, se sobressai pela cor – e, até mesmo, artigos eróticos. A afamada cajuína, obviamente, também está disponível por lá, com sua consagrada coloração cristalina.

“A Prefeitura de Teresina faz ampla propaganda do entreposto, associado ao dinamismo mercantil do centro da capital.”

A Prefeitura de Teresina faz ampla propaganda do entreposto, associado ao dinamismo mercantil do centro da capital. Aquela gente, até 2009, trabalhava pelas ruas. Os problemas de segurança e mobilidade exigiam a intervenção, segundo o discurso oficial. Alega-se, hoje, que os permissionários estão satisfeitos. Matérias disponíveis na internet mostram trabalhadores satisfeitos com a mudança.

O entreposto é administrado pelo Instituto de Negócios do Piauí. Fiz algumas buscas na internet, mas não consegui maiores informações sobre o modelo de gestão do espaço. Também não descobri quanto pagam os permissionários.

Mercado de São José

Lá perto – na mesma Praça da Bandeira –, quase contíguo, está o imponente Mercado de São José, relíquia arquitetônica do século XIX. Parte do entreposto foi reformada, exatamente aonde se vende o rico artesanato local. Pelos corredores, caprichados artigos de palha contracenam com incontáveis imagens de santos – Santo Antônio, Santo Expedito, Nossa Senhora do Amparo, padroeira de Teresina – esculpidos em madeira. Pelos corredores tranquilos, o visitante respira, com mais intensidade, a pulsante cultura piauiense.

A parte anexa do mercado, porém, não foi recuperada. É a ala em que se vendem cereais, carnes, condimentos, artigos diversos. Tem ar de feira-livre. Lá, o teto, escuro e sujo, as paredes manchadas, encardidas, e o piso, de cimento crespo, muito desgastado pelo uso, atestam o abandono. Mas há outras deficiências em volta.

“Mesmo numa visita casual o feirense não deixa de encontrar semelhanças com a situação do prometido reordenamento do centro da Feira de Santana.”

Numa rua lateral ao mercado, amontoam-se bancas de madeira que mercadejam frutas, verduras, legumes, ovos. É difícil transitar pelos corredores exíguos, evitar as poças de água, não embaraçar-se nos consumidores que passam incessantemente. Há tempos a prefeitura promete solução para aquilo. Mas, até agora nada.

Mesmo numa visita casual o feirense não deixa de encontrar semelhanças com a situação do prometido reordenamento do centro da Feira de Santana. E, nessa trama uma questão sempre avulta, candente: o que vai ser feito do Centro de Abastecimento da maltratada Princesa do Sertão? Isso para não mencionar os protestos dos camelôs, que seguem em sua saga pelo centro da cidade…

 

 

O final de semana do Samba em Feira de Santana

Feira de Santana tem vocação histórica para o samba, seja através das várias quixabeiras na Zona Rural da cidade, seja através das rodas de samba organizadas no espaço urbano do município. O final de semana que vai desta sexta (04 de outubro) até o domingo (06 de outubro) está recheado de eventos onde o samba é protagonista.

Selecionamos pelo menos 4 sambas que ocorrerão na cidade neste período, para você se programar e curtir esse gênero musical genuinamente baiano, diretamente ligado às nossas ancestralidades. Confira:

Sexta (04) – Samba Anchos

O grupo feirense Audácia Pura vai se apresentar no Anchos Steak’s House e Petiscaria, localizado na Rua São Domingos, nesta sexta (04), a partir das 21h:

https://www.instagram.com/p/B3IWr6KhJq-/?utm_source=ig_web_copy_link

 

Sábado (05) – Samba da Tarde

No sábado, o samba é no Container Mall, na Avenida Maria Quitéria, a partir das 15h30. O grupo OzÉbrios convida o cantor feirense Paulo Bindá para essa edição do projeto que está ganhando cada vez mais adesão na cidade:

https://www.instagram.com/p/B3Muhm8h-i3/

 

Domingo (06) – Roberto Mendes convida Africania

No domingo o samba começa já pela manhã, às 10h, na feirinha da Estação Nova. O compositor Roberto Mendes, referência internacional da música baiana, militante das tradições do samba, fará mais uma edição do “ReconSertão”, o encontro entre as tradições musicais sertanejas e do Recôncavo baiano. Dessa vez, o convidado é o grupo Africania:

https://www.instagram.com/p/B20cz70heaE/

Domingo (07) – A maior roda de samba da cidade

Fechando com chave de ouro o final de semana, o Prime Music, na Avenida Maria Quitéria, vai promover um encontro inédito: Xandy de Pilares, Vou pro Sereno, Audácia Pura, Jeann Santana e Unidos pelo Samba nessa que está sendo considerada a maior roda de samba que Feira de Santana já viu. A partir das 15h já tem samba rolando:

https://www.instagram.com/p/B3DbeEzBpvJ/

PDT feirense recebe três vereadores e um secretário municipal

Os vereadores Ron do Povo, Isaías de Diogo e Neinha Bastos, além do Secretário de Desenvolvimento Social e vereador licenciado, Pablo Roberto, filiaram-se ao PDT (Partido Democrático Trabalhista), na noite do dia 30.

Pois é…

O perfil do Instagram do PDT/Feira de Santana disponibiliza o link para o abaixo-assinado pela redução do subsídio do prefeito, vice e vereadores de Feira de Santana. A petição conta com 1.242 assinaturas. Será que os novos filiados assinaram ou são contra?

Tem que ter serviços prestados!

O ex-vereador Marialvo Barreto vai acionar o Ministério Público do Estado (MP-BA) para tentar invalidar a entrega dos títulos de cidadão feirense ao presidente Jair Bolsonaro e à ministra Damares Alves. “Para se conceder o título de cidadão feirense a uma pessoa, a Câmara tem que observar os critérios descritos no Artigo 388 do seu regimento interno. O principal critério que está escrito é: ‘ter prestado relevantes serviços à municipalidade’”, justificou Marialvo.

A fábrica de medalhas do Legislativo feirense

Que a Câmara Municipal se especializou na distribuição de comendas e medalhas não é de hoje. Boa parte da população, inclusive, sabe da prática. Antigamente a concessão era mais avara, havia algum critério, resquícios de pudor. Hoje se desavergonhou: pelo plenário desfilam ilustres desconhecidos saudados com discursos chochos, enfatiotados em paletós pouco habituais, gaguejando as virtudes da Feira de Santana. Exaltar as virtudes é manobra esperta: a maioria se resumiu a cuidar da própria vida e, contribuição efetiva à cidade, deram nenhuma. Mas é necessário fingir, manter o mistério, justificar a honraria.

Muita gente se diverte pelos bastidores com essa fábrica de homenagens. Debocham, farejam intenções ocultas no agrado. Aqui ou ali, jocosamente, há quem se refira a um vereador ou outro como “Zé das Medalhas”. “Zé das Medalhas” foi uma personagem de uma novela de muito sucesso na década de 1980. Tomaram o apelido emprestado, porque traduz com rara felicidade o sentido da pilhéria.

“Alguns devem desdenhar. Outros, atarefados, passam apressados por aqui, embolsam a medalha, fazem uns elogios protocolares garimpados por algum assessor e vão embora.”

Às vezes, uma figura graúda – que sequer lembra da Feira de Santana – é alçada à condição de comendador ou de cidadão feirense. Sabe Deus se todo mundo vem receber o agrado. Alguns devem desdenhar. Outros, atarefados, passam apressados por aqui, embolsam a medalha, fazem uns elogios protocolares garimpados por algum assessor e vão embora.

Talvez por falta do que fazer, a Câmara Municipal resolveu investir nessas honrarias nos últimos dias. Foram brindadas duas personagens graduadas da República: Jair Bolsonaro, o “mito” – aquele que chamou os governadores nordestinos de ‘paraíbas’ – e Damares Alves, ministra, a que se notabilizou pelo episódio da goiabeira, logo no início do governo.

“Mito” visitando Feira

O “mito” já pisou o solo feirense? Se não, tem um bom pretexto para visitar a cidade, que fica na porção meridional da imensa ‘paraíba’ que, para os letrados, corresponde ao Nordeste. Virá receber a medalha. Aqui, no prédio imponente do Legislativo, poderá contar piadas deploráveis de baiano – uma variação geográfica do ‘paraíba’ –, porque todos gargalharão escandalosamente, encantados com seu senso de humor.

“Vai que, num surto de generosidade, o “mito” resolve conhecer as belezas da ‘paraíba’ feirense?”

Quem sabe se não aparece um pintor conservador – fervoroso patriota – para reproduzir a cena para a eternidade? Poderiam optar até por um daqueles painéis imensos que, no passado, viam-se com frequência. Traço sisudo, com todo mundo com expressão digna, à altura das reverências ao “mito”. Imagens do gênero – coisa do século retrasado – ainda se veem em museus espalhados pelo mundo.

Vai que, num surto de generosidade, o “mito” resolve conhecer as belezas da ‘paraíba’ feirense? Percorreria viadutos e trincheiras – seria necessário bloquear o trânsito para evitar engarrafamentos –, entraria em êxtase ao saber que restam poucas árvores no perímetro urbano e se resguardaria em gabinetes refrigerados cujo acesso não é franqueado à patuleia.

Concurso para Vereador

A prolífica produção dos “Zés das Medalhas”, porém, bloqueia o debate necessário sobre os problemas da cidade. A cada legislatura, a situação torna-se pior. Mais recentemente, elevou-se a tendência de conceder honrarias, celebrar efemérides e esmerar-se em rapapés. Isso costuma render muito discurso inútil. Descontando as honrosas – e raras – exceções de praxe, não há parlamentar para conduzir um debate mais qualificado.

Servidor público – espécie que caminha para a extinção no país das “boquinhas” – ingressa no Estado mediante concurso público. Habilidades e competências são cobradas para o exercício da função. Alguns processos seletivos são extremamente disputados. Esculhambam, mas boa parte dos servidores brasileiros são muito qualificados.

Por que não se adota critério semelhante para o Legislativo e o Executivo? Uma prova simples que ateste conhecimentos. Depois, o candidato disputa o voto do cidadão, da mesma forma que é hoje. É óbvio que a fórmula não é perfeita, mas o filtro ajudaria a expurgar muitas incapacidades que sem veem por aí, abundantes.

“Simplesmente Reggae”, o novo álbum de Gilsam

O cantor, compositor e instrumentista feirense Gilsam, reggaeman consagrado há mais de duas décadas na Bahia, acaba de lançar seu novo álbum, “Simplesmente Reggae”.

Gilsam é compositor de canções e melodias marcadas por mensagens de consciência crítica, protesto social, paz e amor retratando as realidades das subcidades e dos guetos existentes em Feira de Santana e na Bahia. “Simplesmente Reggae” traz a mesma atmosfera.

Gilsam

Para Gilsam, esse é um momento único de recomeço na carreira (seu último álbum foi lançado em 2014), inserindo seu trabalho no mundo da música digital, mudando o alcance de público e abrindo as portas para que a música de qualidade feita na Bahia seja ouvida em qualquer lugar do mundo. Com isso ganha o artista, ganha a música reggae, ganha a Bahia em representatividade artístico-cultural negra.

Simplesmente Reggae é um álbum que traz 11 canções, sendo nove inéditas e duas releituras. Em mais de 25 anos o artista lançou todos os seus trabalhos em CD logrando êxito nas vendas e repercussão entre fãs, admiradores e críticos musicais. A intenção é que, em breve, todos os CDs sejam lançados nas plataformas digitais.

Ouça “Simplesmente Reggae”:

 

R$ 3 milhões a menos na economia feirense todo mês

Depois da ascensão do novo regime, qualquer crítica se tornou coisa de esquerdista, comunista, socialista, entusiasta do ex-credo de Moscou. Temos aí, de plantão, abnegados patriotas que tentam nos impulsionar para os píncaros do desenvolvimento, embora tudo o que se veja, à volta, seja o fundo do poço e suas ásperas paredes. Não é controvérsia de desocupado de mídia social, não: números oficiais colocam o País em situação delicada. Talvez seja necessário suprimir as estatísticas para que o Brasil fique melhor, mas, por enquanto, vamos a alguns números.

Em países civilizados as políticas de proteção social são acionadas nos momentos de crise, quando a renda cai e o desemprego se eleva. Nessa Pátria altaneira, porém, tudo ocorre ao contrário: com a crise econômica avassaladora, benefícios sociais começaram a ser cortados – sobretudo o Bolsa Família – sob a égide de três exímios gerentes: Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e, agora, Jair Bolsonaro (PSL), o “mito”.

A Feira de Santana reflete bem esse drama. Em agosto, foram repassados para os beneficiários do Bolsa Família – em valores correntes – R$ 3,949 milhões. Ironicamente, é o mesmo valor nominal de há exatos dez anos: R$ 3,949 milhões. Atualizado pela inflação, porém, o valor alcança robustos de R$ 6,936 milhões, tomando como base o Índice de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em termos reais, são cerca de R$ 3 milhões a menos, a cada mês, na economia feirense. São quase R$ 36 milhões num ano. É um recurso que desliza para o caixa do mercadinho, da padaria, do açougue, da banca de frutas e verduras e que ajuda – e muito – a gerar postos de trabalho num momento em que o comércio dos bairros, sobretudo os periféricos, está combalido.

“Nenhum acólito do “mito”, portanto, pode alegar que se trata de uma conspiração comunista para enodoar seu ícone.”

Os números são oficiais, do festejado Ministério da Cidadania. Nenhum acólito do “mito”, portanto, pode alegar que se trata de uma conspiração comunista para enodoar seu ícone. Ou pode: talvez julguem que, lá dentro, ainda estão abrigados muitos inimigos da pátria. Mas talvez celebrem, vociferando que a “mamata acabou” para os pobres, com a habitual cruel satisfação.

A queda dos valores repassados se repete na quantidade de famílias beneficiárias: em agosto foram apenas 31,8 mil. Até já foi pior: em julho de 2017 chegou-se ao menor patamar, com apenas 29,6 mil famílias contempladas. Mas, até mesmo no governo do “mito”, o total já foi maior: alcançou 32,9 mil em maio e, desde lá, vem caindo novamente. O fato é que o município oscila nesse patamar desde meados de 2016.

O valor médio do benefício não vai além de R$ 124,18. Em junho do ano passado alcançou o menor patamar recente – R$ 110,15 – mas subiu um pouco desde então. Há sete anos – antes da recessão seguida de estagnação na qual o Brasil atolou em 2014 – era de R$ 127,56. Isso quando a economia crescia e havia, à disposição, postos de trabalho que, desde então, desapareceram.

Faz alguns anos que, no Brasil, as versões se sobrepõem aos fatos. Quando os fatos são quantificáveis – números – recorre-se à gritaria para turvar o debate, estratégia consagrada em gincanas de colegiais e em assembleias estudantis. A gritaria, porém, é metafórica, porque se deslocou para a esfera virtual e é exercida por matilhas disciplinadas. Isso quando não se recorre aos robôs, que tornam os embates muito mais desiguais.

Não dá, porém, para contornar números como os do Bolsa Família aqui na Feira de Santana. Nem ignorar que a pauperização pelas ruas da cidade cresceu visivelmente. Ano que vem o brasileiro tem a primeira oportunidade de começar a revogar esse surto de insensatez. Algum otimismo, portanto, é necessário. Não é possível que Satanás continue zombando, indefinidamente, desse triste País.