As Feiras de Feira de Santana

Fartura & Ossos

“Fartura & Ossos” – O novo livro do poeta Silvério Duque

O músico, professor, crítico literário e poeta feirense Silvério Duque acaba de lançar seu novo livro: “Fartura & Ossos”, obra que o autor descreve como sua “lira dos quarent’anos”. O livro, que traz 25 sonetos compostos entre 31 de março de 2018 e 31 de março de 2019, é uma auto-homenagem aos 40 anos de vida do autor. Com desenho de capa do artista plástico Gabriel Ferreira, posfácio de Elpídio Dantas Fonseca e prefácio do próprio autor, com efeito, “Fartura e Ossos”, segundo Elpídio Fonseca, “remete a várias situações descritas em seus sonetos: a superabundância da vida vivida, da qual só

BRT de Feira cada vez mais longe

BRT cada vez mais longe

Com queda no número de passageiros, BRT fica mais longe de ser implantado em Feira Cerca de 10% da frota do transporte público de Feira de Santana deixou de circular, devido à queda no número de passageiros. Trabalhadores do setor também foram demitidos. Associação alertou a pouca demanda de passageiros para a implantação do BRT Em agosto de 2015, a Associação Feirense de Engenheiros (AFENG), apresentou parecer técnico sobre o resultado da análise do “Sistema BRT Feira de Santana” e alertou sobre o volume de passageiros no momento mais crítico do dia, cerca de 5 mil passageiros por hora/sentido. Mas

Banda Calafrio

“Hiato”, o novo single da banda feirense Calafrio

“Um estado de ceticismo quase que total, ausência de sentidos e porquês, um momento de niilismo. O pensamento vagueia pela morte mas em busca de vida”, descreve o guitarrista Pedro Patrocínio, se referindo à letra de “Hiato”, o segundo single de seu novo EP. “A existência dessa canção se dá num momento de reclusão, numa jornada solitária com um pouco de autodestruição e muito de autoconhecimento”, explica o músico. “Hiato” é uma das cinco faixas do EP homônimo que a banda irá lançar até o final deste ano. Em setembro, eles apresentaram ao público o single “Primitivos”, que também ganhou um videoclipe, disponível no

Ícaro Irvin

O novo Procurador do Município

Colbert indica o novo Procurador do Município Ícaro Ivvin, atual superintendente do Procon, foi indicado pelo prefeito Colbert Martins, para ocupar a Procuradoria Geral do Município, no lugar de Cleudson Almeida. O nome de Ícaro foi aprovado na última quarta-feira (23), em votação unânime, pela Câmara Municipal de Feira de Santana. E quem vai assumir o Procon? O prefeito informou que vai convidar Cleudson Almeida para assumir o Procon, quando retornar de Brasília. Vereadores criticam o presidente Jair Bolsonaro Em pronunciamento, na sessão ordinária da última quarta-feira (23), na Câmara Municipal de Feira de Santana, o edil Carlito do Peixe

A “meia década” perdida da Saúde em Feira

A “meia década” perdida da Saúde em Feira

Os repasses para a Saúde em Feira de Santana tiveram leve elevação em relação aos anos anteriores, nos primeiros nove meses de 2019. O problema é que a base anterior é modesta, decorrente da prolongada crise econômica que abalroou o País – e as contas públicas – a partir de meados de 2014. Desde janeiro, foram aportados R$ 144,5 milhões em transferências obrigatórias e voluntárias. Os dados são do Portal da Transparência e referem-se, em toda a análise, aos nove primeiros meses de cada ano. A correção ocorreu com base no Índice de Preço ao Consumidor Amplo, o IPCA. Ano

Pá Rua?

Outro dia, peguei Robson.

Não exatamente “peguei”, no sentido em que vossas consagradas cabeças maliciosas estão pensando. Eu não botei minha língua na boca dele.

Robson é ligeirinho. Eu usufrui de seus serviços clandestinos de transporte alternativo.

É sempre uma viagem andar com Robson. Porque ele é o mais atípico dos ligeirinhos. É o mais lento, mas o mais organizado. Ele transforma um Fox em minivan e leva 70 pessoas — confortavelmente.

Para honra e glória de Oxalá, eu fui na frente. Sozinho. Uma raridade, às 7 da manhã no Parque Lagoa Subaé.

Meu bairro não é dos mais populosos, mas estimo que esteja aí na faixa das 3, 4 mil pessoas. A maioria preta, com poucas famílias na classe média. Agora, por exemplo, é que se vêm pensando em uma lotérica lá.

Eu estava meio cansado, então, se pudesse, teria dormido. Mas não consegui. Estava passando o programa do Carlos Geílson, quando alguém puxou o assunto Magno Malta.

Robson tem cara de crente. Mas já vi ele tomando uma no shopping. Então não sei.

— Rapaz, esse cara aí diz ser crente. Ele ganhou fama com aquela CPI lá da pedofilia. Aí acusou um cara que era trabalhador. Quebraram o cara na cadeia, quase mataram. Aí o cara perdeu a visão de um olho e quase do outro. Aí, tá aí inválido.

Um cara, no fundo, puxou:

— E tu votou em quem, Robson?

— No primeiro turno eu votei no Ciro Gomes, no segundo eu votei no Haddad.

— Ciro era uma boa. Entrei na conversa.

— Ciro é bom, mas ele parece não querer ganhar as eleições. Toda candidatura é a mesma coisa: ele fala, fala, mostra porque é inteligente e só. Ele quer ser o Lula com faculdade. Mas ele não tem plano de governo. Tem plano dele. Não dá pra pensar quem seria o Ministro da Economia com o Ciro Gomes, porque ele é melhor que qualquer um, tá ligado?

Ninguém entendeu. Precisava contextualizar.

— Imagina o Zé Ronaldo na presidência. Pronto, o Ciro é a mesma coisa.

Eles riram. Agora entenderam.

Tive que descer, chegou meu ponto. Mas o papo continuou. O bom de conversar com quem é de periferia sobre política é ver um bom conhecimento da máquina, mesmo sem base teórica. Só com observação da rua.

De noite, fui na faculdade. E depois da casa de um amigo de um amigo. Bebi Cantina e joguei aquele jogo dos animais, especializado em fazer gente beber.

Na volta, pedi pra meu amigo pedir um Uber. Acineto, o nome do levador de gente.

Eu não sou de usar o serviço, nem tenho o aplicativo no meu celular. Uber é um passo para a branquitude. Porém, eu estava na Matriz, e já estava um pouco tarde.

Quando o cara chegou, percebi que ele tava cansado. Eu também estaria. Não havia música tocando. Começou a falar do trajeto, dos passageiros, essas coisas pra não deixar o clima morrer.

— Aquele carro ali é Uber. Já me bati com ele, algumas vezes.

— Dá pra tirar uma grana com isso?

— Rapaz, pra mim é um bico. Eu sou caminhoneiro, só rodo nas folgas. Mas tem uns malucos aí que ficam o dia inteiro rodando. Eu faço isso não. Cansaço da porra.

Pensei “daqui a pouco ele puxa política”. Nada. Uber que não fala de política, pra mim, é ligeirinho. Os caras tem um gosto em puxar esse assunto e falar “eu era engenheiro, agora rodo em aplicativo”, como se o passageiro fosse ficar com dó e dar uma obra de gorjeta.

Mas Acineto era caminhoneiro. E caminhoneiros tem suas prioridades.

— Porra, não tô conseguindo baixar o CD novo de Ferrugem no Sua Música.

— Ele deve ter tirado, tá agora só no Spotify.

— No quê?

— Spotify.

— Spotify?

— É um aplicativo de música.

— Acho que já falaram dele comigo. Mas é pago, né?

— Tem de graça, mas pago é melhor.

— Aí não presta pra mim não. Pagar pra ouvir música?

Sensato. Por isso nunca usei conta premium no Spotify.


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