Rio Jacuípe

Jogo de Nonô

O jogo de Nonô

“Tira a mão do ovo, Nonô!”, protesta Toinho Cabeção quando o coroa de 86 anos chega para almoçar. É assim todo início de mês: Nonô chega na lanchonete do Centro Mandacaru apoiando uma mão na bengala e a outra oscilando entre o bolso e algumas coçadinhas no meio da calça. Ele não terceiriza o saque da aposentadoria, tanto por vigilância orçamentária quanto por deleite ritualístico: após ir ao banco, compra os remédios do mês, apara o cabelo que lhe resta e arrisca tornar-se milionário nos seis números da mega. “Jogar na mega pra onde, Nonô? Vai gastar esse milhão com

Colbert e Targino

Targino e Colbert trocam farpas

Sem informação Após a população do Conjunto Viveiros realizar uma manifestação por conta da falta de médico no Posto de Saúde da localidade, o prefeito Colbert Martins disse o seguinte: “não tinha informação que o posto médico do Viveiros estava tanto tempo (cerca de sete meses) sem médico”. Targino cobra afastamento da Secretária de Saúde e do Procurador do município O Deputado Estadual Targino Machado (DEM), durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa da Bahia, nesta terça-feira, 21, cobrou do prefeito de Feira de Santana, o afastamento da Secretária Municipal de Saúde, Denise Mascarenhas, e do Procurador do município, Cleudson

Roberto Mendes

Roberto Mendes faz show na Cidade da Cultura

Um dos maiores artistas que a Bahia produziu estará em Feira de Santana na próxima quinta-feira: o cantor, compositor e ativista santamarense Roberto Mendes faz show na Cidade da Cultura, um dos principais espaços culturais de Feira de Santana. Mendes apresentará um show com tema caro a Feira de Santana: “A chula do Recôncavo com o Canto do Sertão”. Situada entre o Recôncavo e o Sertão, Feira tem a oportunidade de se reconhecer na apresentação de um notável defensor do Samba da Bahia, e do Samba antes do Samba, como ele diz, se referindo à Chula. Ele caracteriza a Chula

Os protestos em Feira de Santana

Os protestos em Feira de Santana

Os protestos em Feira de Santana Milhares de manifestantes foram às ruas do centro de Feira de Santana, protestar contra os cortes de verbas da educação, anunciados pelo MEC. Bolsonaro, Rui Costa e Colbert também foram alvos das críticas. Os três chefes do executivo estavam em viagem oficial Bolsonaro nos Estados Unidos, Rui, na China e Colbert, novamente, em Brasília, para tratar de diversos assuntos, dentre os quais o Hospital da Mulher, onde em menos de uma semana 03 bebês morreram devido à grande demanda e a falta de leitos nas maternidades do município. Professores da UEFS contra os cortes

Desemprego em Feira

Emprego formal se reduz no primeiro trimestre em Feira

No primeiro trimestre de 2019 o desemprego voltou a mostrar as suas garras aqui na Feira de Santana. Foram, no saldo, 480 empregos a menos, no saldo entre admissões (8,7 mil) e demissões (9,1 mil). Os mais penalizados foram os comerciários: no saldo, enxugaram-se 162 oportunidades para esses profissionais. Alguém mais otimista pode enxergar, aí, aquele movimento natural de dispensa do excedente que foi contratado para as festas de final de ano. O preocupante, porém, é que a redução de empregos alcançou atividades que não se relacionam diretamente ao vaivém natural do comércio. É o caso da construção civil, que

O rural feirense, segundo o último Censo Agropecuário (parte 2)

Há pouca gente branca cavoucando o solo feirense, desempenhando a função de agricultor ou manejando rebanhos. É o que indica o Censo Agropecuário 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujos resultados começaram a ser divulgados nesse segundo semestre. Boa parte dos que lidam com a terra são negros e, sobretudo, pardos, conforme o levantamento. Integram, portanto, o universo dos afrodescendentes.

Foram recenseados, precisamente, 9.191 estabelecimentos, de acordo com o IBGE. Desse total, 5.460 produtores – ou 59,40% – declararam que são pardos. Os negros vêm na sequência: são 2.821, o que corresponde a 30,69% do total. Somados, os afrodescendentes representam pouco mais de 90% dos produtores rurais da Feira de Santana.

Os produtores que se autodeclaram brancos vêm na sequência: são 857, ou 9,32% do universo pesquisado. Quantitativamente, os demais grupos – por cor ou raça – são residuais: 21 se declaram indígenas e seis deles informaram que são amarelos, designação que costuma ser aplicada aos povos de origem asiática.

Esses números traduzem bem o que é o campo feirense. Muitas comunidades rurais são compostas, basicamente, por negros e pardos. Há, inclusive, remanescentes de comunidades quilombolas que, nos últimos anos, começaram a ter sua condição formalmente reconhecida pela União. Fincaram raízes na região desde o século XIX, quando a mão de obra escrava ajudava a impulsionar a economia feirense.

Políticas

O levantamento ajuda a compreender como vive – e produz – essa parcela da população feirense. Assistência técnica é raridade, segundo apontam: somente 439 (irrisórios 4,77%) afirmam contar com o serviço. Impressionantes 8.752 – 95,22% – dizem não ter acesso a algo que é essencial para a elevação da produtividade e, por consequência, da renda.

“52,75% – utilizam apenas adubo orgânico, o que costuma corresponder ao esterco entre os produtores mais pobres”

As dificuldades não se limitam à assistência técnica. Exatos 3.404 (37%) não usam nenhum tipo de adubo em suas atividades; outros 4.849 – 52,75% – utilizam apenas adubo orgânico, o que costuma corresponder ao esterco entre os produtores mais pobres. Esses dois grupos correspondem a quase 90% dos estabelecimentos do rural feirense.

Um grupo limitado de 413 estabelecimentos recorre à adubação química e outros 515 dispõe dos dois recursos – químicos e orgânicos – e representam, no agregado, a exatamente 10% do total de unidades produtivas. Com relação aos agrotóxicos, somente 593 admitiram que utilizam.

Financiamento

Zona Rural de Feira de Santana

É comum, na televisão, aquelas propagandas com atores felizes interpretando produtores que acessam empréstimos na rede bancária oficial. A realidade – pelo menos na Feira de Santana – é bem diferente: só 570 (6,2% do total) afirmaram que têm acesso a empréstimos. A imensa maioria – 8.621 ou 93,8% – não dispõem do recurso para alavancar seus negócios.

Em que esses recursos foram aplicados? De acordo com os produtores beneficiados, os empréstimos serviram sobretudo para a realização de investimento (275), manutenção (258), custeio (86) ou comercialização (16).

Ao contrário do que se pode imaginar, poucos recursos foram captados em instituições públicas: do total, 414 transações não decorreram de programas governamentais. Somente 116 foram do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e 40 transações decorreram de outras iniciativas governamentais.

Esses números permitem deduzir que há pouco apoio ao rural feirense, o que, aliás, constitui novidade para pouca gente. Noutros tempos – mais previsíveis e mais arejados – fazia sentido reclamar, reivindicar políticas, exigir mais atenção. Nesses tempos tormentosos, fica a dúvida: recorrer a quem?

(Fotos: ASCOM/PMFS)


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