As Feiras de Feira de Santana

Venezuelanos em Feira de Santana

A história de dois Venezuelanos em Feira de Santana

Quem tem andado pelas ruas de Feira de Santana nos últimos anos nota o aumento da quantidade de pedintes e vendedores informais nas sinaleiras da cidade – consequência óbvia do deserto econômico por que passa o país. Peregrinando entre os carros, na esperança de que um vidro se abra e uma mão se estenda, essas pessoas buscam o sustento básico da família, a ajuda para a compra de um remédio ou a fralda para um filho. Na cidade-entroncamento, não é de espantar que muitos desses habitantes das encruzilhadas sejam de fora do município, do estado e do país. É o

Casarão dos Olhos D'Água

Casarão Olhos D’Água será reformado

A Prefeitura Municipal de Feira de Santana irá reformar o Casarão Olhos D’Água, situado na Rua Dr. Araújo Pinho. O valor da reforma foi orçado em R$ 331.657,38 e a empresa contratada, através de dispensa de licitação, foi a CLAP Construtora Ltda (Diário Oficial de 17 de julho). Recomendação do MP-BA O Ministério Público Estadual, por meio da promotora de Justiça Luciana Machado dos Santos Maia, expediu em dezembro do ano passado, recomendação ao diretor-presidente da Fundação Municipal de Tecnologia, Telecomunicações e Cultura Egberto Tavares Costa (Funtitec), Antonio Carlos Daltro Coelho, para que promovesse as medidas emergenciais necessárias à manutenção,

Feira Hippie dos Olhos D'Água

UEFS receberá a II Feira Hippie dos Olhos D’Água

Criada em 2016, a Feira Hippie dos Olhos D’Água aconteceu pela primeira vez durante a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, realizada anualmente no mês outubro, na Biblioteca Central Julieta Carteado, no Campus da UEFS. Na ocasião, o evento principal tinha como tema Sustentabilidade e Meio Ambiente, e a Feira Hippie, idealizada por Paulo Fabrício Reis e Raquel Kuwer, surgiu como um adendo, estabelecendo uma relação direta com a temática, uma vez que foram priorizados expositores com trabalhos artesanais, ou que trabalhavam com esse enfoque. O nome da Feira Hippie é uma homenagem à cidade de Feira de Santana,

O pintor feirense Cesar Romero

O pintor feirense Cesar Romero

Quem acompanha o cenário das artes plásticas da Bahia certamente já ouviu falar ou já se deparou com alguma obra do pintor Cesar Romero. O que nem todos sabem é que o artista plástico autor das “Faixas Emblemáticas” é feirense, nascido em 1950. “Dois fatos foram determinados em minha formação de artista plástico: a convivência com as feiras livres, sempre às segundas-feiras, em companhia do meu pai, e a criação do Museu Regional de Feira de Santana. Se eu tivesse nascido em outra cidade, muito provavelmente não haveria o artista que sou, nem esta obstinada escolha de brasilidade. Feira de

Quanto custa a Câmara de Vereadores de Feira de Santana?

Quanto custa a Câmara de Vereadores de Feira?

A Câmara de Vereadores é uma instituição importantíssima para qualquer município. Suas cadeiras são ocupadas pelos representantes políticos mais próximos à comunidade: os vereadores, eleitos principalmente pela capacidade de interlocução e liderança em determinados bairros e comunidades. Além de levar demandas da comunidade ao Poder Executivo, mantendo diálogo permanente com secretários, superintendentes e outros gestores, o vereador deve cumprir o papel fiscalizador das ações e decisões emanadas do Prefeito. Sem falar no papel de legislador e promotor de debates sobre temas de interesse da comunidade, fazendo com que os munícipes tenham participação ativa nas políticas públicas. Quanto mais os vereadores

Comer manga verde com sal (e uma receita!)

Feira de Santana, há alguns anos (e várias casas e prédios a menos), era uma cidade bastante arborizada e, por aqui, eram encontradas facilmente árvores frutíferas de vários tipos. As mangueiras eram muito comuns na região, vistas nos quintais e terrenos baldios. Os “pés-de-manga”, como são chamados, costumam ficar carregados no período da primavera, e a fruta era usada de diversas maneiras, como em sucos, doces e compotas. Para esses fins, esperava-se que as mangas ficassem maduras, no tempo correto de colheita. Porém, havia um jeito inusitado de consumo, geralmente feito pela molecada, comer a manga verde com sal.

Quando se diz “verde”, é verde mesmo. Mas geralmente a fruta era muito leitosa e ácida. Aquele leite por vezes machucava a boca. Por isso a maneira em que ela era mais apreciada era chamada de “de vez”, que consiste na fruta no estágio entre verde e madura, em que não estava mais tão ácida como a verde, e ainda não estava doce e mole como a madura. Esse era o estado perfeito, e os mais experientes conheciam só de tocar a fruta. Era bem parecido com a forma que um cozinheiro identifica o ponto da carne.

Talvez por causa das recomendações dos pais, que diziam fazer mal, comer manga verde com sal era bom. Tinha aquela sensação de proibido. Apesar de sentir uma gastura horrível nos dentes quando comíamos demais, não dava pra recusar. Era o lanche trivial após o “baba”, já que, próximo aos campos de futebol improvisados (geralmente terrenos abandonados), as mangueiras eram predominantes.

“Os mais velhos diziam que, ao passar mal após comer a manga verde, só se resolveria o problema tomando o chá da casca da mesma manga que você comeu”

Os mais velhos diziam que, ao passar mal após comer a manga verde, só se resolveria o problema tomando o chá da casca da mesma manga que você comeu. E sim, a garotada acreditava nisso. Na verdade era uma maneira de inibir a comilança, tendo em vista a dificuldade de fiscalizar os filhos, apesar de achar que alguns deles realmente acreditavam nisso.

Outra questão era a procedência da manga. Aquelas compradas em supermercado não serviam. Tinha que ser tirada do pé, que, muitas vezes, era da casa de algum vizinho ranzinza. O furto era praticado de várias maneiras. Quando não havia ninguém em casa, era na base da pedrada; quando era necessário ser silencioso, com varas, e, quando corria o risco da manga cair sobre um telhado e fazer estrago, era acoplada uma lata/garrafa pet cortada na ponta da vara, para que, ao cutucar, a fruta caísse no vaso. Eram técnicas variadas, uma pra cada situação.

Havia ainda, dois tipos de comedores. O tradicional, que usava sal puro, e o mais sofisticado. Esse último não se contentava em roubar um punhado de sal escondido do saleiro da mãe. Gostava de variar os temperos, usando pimenta do reino, cominho e, se a mãe vacilasse um pouco mais, o “tempero completo”, aquele mesmo, de temperar a carne. Nesses casos, o risco de ser descoberto era bem maior, pois era facilmente percebida a redução nos temperos quando a mãe ia fazer o almoço no dia seguinte. A grande sacada era reunir a molecada, e cada um pegava um pouquinho de um tipo diferente de tempero em sua casa. Dessa forma ficava mais difícil das mães suspeitarem.

Por ter tanta intimidade com essa iguaria, que habita os nossos imaginários, confesso que fiquei com ciúmes quando, em minhas andanças por aí, descobri que restaurantes sofisticados servem um prato chamado “ceviche de manga”, que na verdade é a nossa velha manguinha com sal, disfarçada. Segue a receita:

Ingredientes:

2 Unidades de Manga madura (usar mangas maduras não muito moles)

2 Unidades de Cebola branca

3 Unidades de Limão

1 Copo de Suco de laranja

3 Colher de sopa de Molho de tomate

Coentro fresco

Pimenta calabresa ou pimenta dedo de moça picada

Azeite de oliva extra virgem

Pasta de Alho

Sal a gosto

Modo de preparo:

1: Descasque as mangas e corte-as em pedaços médios.

2: Acrescente a pasta de alho, o suco de laranja e o suco dos limões, o azeite e o sal. Misture e deixe marinando nesse líquido por 20 minutos, para que se forme o ceviche de manga.

3: Após o tempo indicado, acrescente a cebola cortada em pétalas e pimenta a gosto.

4: Finalmente acrescente também o molho de tomate e o coentro picado finamente. Misture tudo muito bem.

5: Seu ceviche de manga está pronto! O ideal é que nele sejam notados, sobretudo os sabores cítricos do suco da laranja e do limão. Sirva como entrada, acompanhado, por exemplo, de nachos ou pão sueco.


 

O prato é simples e delicioso, mas aquela manga, que a gente comia na infância com sal, essa tem um valor inestimável pela lembrança e saudosismo. E você, lembra também?

 

OBS: Um alô para meu amigo Danillo, que, assim como eu, era um apreciador.

 


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