As Feiras de Feira de Santana

Roça Sound

Roça Sound expõe a Feira de Santana clandestina

Saiu o novo clipe do Roça Sound, uma interpretação audiovisual apurada da música “Verde e Cinza”, que compõe o álbum “Tabaréu Moderno”, o mais recente do grupo. A música e o clipe integram uma das mais importantes obras contemporâneas de interpretação de Feira de Santana e sua cultura. “Verde e Cinza”, já no título, denuncia essa cidade contraditória, que vive entre uma tradição rural, feirante, e uma sanha modernizante expressa nas obras cheias de concreto e vazias de humanidade. Mas não para por aí, afinal, Clóvis Ramaiana já notou e denunciou isso há muito. A canção expõe a visceral clandestinidade

Cooperativas em Feira de Santana

Cooperativas com os dias contados em Feira de Santana

O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e o Ministério Público da Bahia (MP-BA) exigiram que a Prefeitura Municipal de Feira de Santana não faça mais contratações de servidores através de cooperativas. Novas Contratações Colbert Martins disse ao Acorda Cidade que as contratações só poderão ocorrer via Organização Social (OS), seleção pública (Reda) ou concurso público. Ao atender essa recomendação, é provável que aumente o número de processos seletivos para contrações temporárias. Fim das indicações políticas Infelizmente, com o fim das contratações via cooperativas, não é certo de que acabem também as indicações políticas. A contratação de Organização Social permite

Vai ter Feira Noise Festival em 2020

O Feira Coletivo Cultural e a Banana Atômica realizaram no último final de semana, em Feira de Santana (BA), uma edição histórica em comemoração aos 10 anos de existência do Feira Noise Festival. O evento aconteceu entre os dias 22 a 24, no Ária Hall, reforçando sua importância para a consolidação da cena local, além de manter Feira de Santana na rota de circulação de bandas e artistas independentes. Ao todo, 33 atrações se revezaram entre os palcos Banana Atômica e Budweiser, sendo 13 delas de Feira de Santana. Importantes nomes da música brasileira contemporânea como Supercombo, Francisco El Hombre, Black Pantera, Potyguara Bardo,

O fenômeno flamenguista em Feira de Santana

Na manhã dessa segunda-feira, a Praça da Bandeira foi a arena onde se discutiu sobre o mais importante e popular time de futebol brasileiro. — É óbvio que o Bahia é de mais importância. O Brasil nasceu onde? Se é aqui o início do Brasil, o Bahia é o time do nosso povo, defendia Papinho, torcedor patológico do Bahia. — O Flamengo, companheiro, é o time das massas, o time rubro, castanho, caboclo, representando os índios, e negro, quilombola, africano, representando o povo escravizado, proclamava Seu Teófilo, tomando caldo de cana para curar a ressaca da comemoração dos dois títulos

Roça Sound

“Tabaréu Moderno”, o novo álbum do Roça Sound

“Tabaréu Moderno” é o terceiro disco do grupo Roça Sound. Lançado no último dia 15 de novembro, o novo álbum estava sendo esperado pelo público que acompanha o trabalho dos feirenses desde “Você Aguenta Quantos Rounds?”, de 2014. Formado por NickAmaro (DJ/ MC), Paulo Bala (MC), Dom Maths (MC) e o dançarino Edy Murphy, o Roça Sound explora sonoridades que vão desde a Cultura Nordestina, Rap, Dembow, Reggae, e o DanceHall, tendo o suingue como sua marca principal. Em “Tabaréu Moderno”, trazem nove faixas autorais e inéditas, com as participações da Orquestra Reggae de Cachoeira, Quixabeira da Matinha, Bel da

Lambe-lambe: memória viva do povo feirense resiste em praça pública

A nostalgia é um sentimento presente em qualquer pessoa que transite pela Praça Bernardino Bahia. O clima bucólico do lugar remete qualquer um ao passado: ao seu redor já houve INSS, casarões e até um cata-vento. Os transeuntes mais jovens admiram as grandes árvores e o histórico coreto. Os mais velhos lembram dos tempos idos, quando as fotos de família eram registradas pelos famosos fotógrafos “lambe-lambe”, responsáveis pela popularização da oitava arte em diversas cidades brasileiras.

Fotógrafo “lambe-lambe” é o nome que se dá ao fotógrafo ambulante que exerce a sua atividade nos espaços públicos como jardins, praças e feiras. Existem diversas teorias sobre a origem do nome, uma delas é que os profissionais passavam a língua na foto após lavada para verificar se ainda havia a presença de um líquido utilizado na revelação.

Lambe-lambe

Fomos até a Praça Bernardino Bahia documentar a realidade dos lambe-lambe da atualidade. A praça já concentrou 30 barracas, hoje resta pouco mais da metade – são 17 barracas, algumas delas fechadas. A presença dos fotógrafos no local se dá desde os tempos que a feira livre ainda acontecia no Centro. Na época, os fotógrafos cumpriam um importante papel, o de eternizar momentos de pessoas menos favorecidas que tinham dificuldade no acesso às tecnologias da época.

Atualmente já não é mais necessário passar a língua nas fotos, as câmeras analógicas foram trocadas pelas digitais e alguns revelam suas fotos com o auxílio de uma impressora específica, tudo isso na tentativa de se adaptar às novas tecnologias.

“Antigamente tirava 100 fotos por dia, hoje em dia tiramos de 10 a baixo. Isso se deve à tecnologia!”

Luiz Abreu é fotógrafo e chegou no local em 1984, quando comprou o box onde trabalha. Ele faz um desabafo sobre a atual situação: “Antigamente tirava 100 fotos por dia, hoje em dia tiramos de 10 a baixo. Isso se deve à tecnologia! Tenho que fazer outros bicos por fora para poder me manter, às vezes trabalho de pedreiro, às vezes de carpinteiro…”. Motivado pelo tio fotógrafo, começou a profissão com apenas 14 anos.

Lambe-lambe

“O serviço aqui é bom, a profissão caiu bastante, mas a gente consegue fazer a feira com casamento, festa de 15 anos… O trabalho só aqui não dá, a procura por foto 3×4 caiu bastante. Aqui é um ponto de referência, deveria melhorar tudo, não temos banheiros, a praça está toda esburacada e somente 12 barracas funcionam, a perspectiva é só acabar”, nos revela Evandro, o dono do boxe de número 09. Ele também se queixa sobre a digitalização de fotos dos documentos oficiais, que, segundo ele, eram uma das razões que mantinham o ofício vivo.

Atualmente o ofício resiste em nome da tradição e da memória de um povo.

Intervenções do Poder Público

Lambe-lambe em Feira

Diversas foram as tentativas de retirada dos “lambe-lambes” da Praça Bernardino Bahia por parte da Prefeitura Municipal. Em 2000 os fotógrafos foram realocados para outro local, e só voltaram para o seu lugar de origem em 2010. Alguns se queixam de dificuldades financeiras extremas durante esse período que estiveram fora da praça.

Recentemente algumas reuniões foram organizadas pelo Governo Municipal através da SETTDEC, onde ficaram acertadas melhorias nos boxes e no local. Contudo, apenas uma ação foi realizada, a instalação de uma cobertura nos boxes.


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