As Feiras de Feira de Santana

Centro de Abastecimento de Feira de Santana

O Centro de Abastecimento vai ser privatizado?

De acordo com o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Marcos Lima (Patriota), vários empresários querem administrar o Centro de Abastecimento de Feira de Santana. A informação foi repassada durante a sessão desta terça-feira (13), na Casa da Cidadania, ao responder acusações do vereador Roberto Tourinho.   Abandonado Tourinho disse que a situação do Centro de Abastecimento é de abandono, e elencou os seguintes problemas: lixo, mau cheiro, escuridão, tráfico de drogas, prostituição, lama e até homicídios ocorrem no local. Cheiro de Privatização De acordo com Tourinho, o poder público municipal não faz absolutamente nada, diante de tantos problemas:

Cantoras negras feirenses

Cantoras negras são destaque na música de Feira de Santana

Um olhar cuidadoso sobre as expressões musicais em Feira de Santana torna obrigatório reconhecer o fundamental protagonismo das mulheres em nossa música. Para começar, Feira de Santana é uma das poucas cidades do Brasil que tem seu hino composto por uma mulher: Georgina Erismann, no início do século XX, fez o “Hino a Feira”, numa época em que a mulher sequer tinha direito a voto. Uma das mais tradicionais expressões culturais de Feira de Santana, reconhecida internacionalmente, é capitaneada por uma mulher: Dona Chica do Pandeiro é a matriarca da Quixabeira da Matinha, exercendo um papel de liderança que remonta

OzÉbrios

Grupo feirense OzÉbrios estreia no projeto “Samba da Tarde”

Feira de Santana ganha, a partir deste sábado (10) mais um espaço de apreciação do samba: o Container Mall, com o projeto “Samba da Tarde”. Promovido pela Cervejaria Sertões, a iniciativa apresentará o grupo de samba OzÉbrios, comandado pelo cantor e compositor Rafael Damasceno. O projeto visar ocupar as tardes de sábado do Container Mall com o mais puro ritmo do samba raiz. O grupo OzÉbrios receberá convidados celebrando a junção do melhor do samba, dos sabores (dos petiscos) e das cervejas (artesanais), como elementos de entretenimento e opção de lazer na cidade. Além da Cervejaria Sertões, e o Container

Amanda Magalhães - The Voice - Feira

Amanda Magalhães, a feirense que está no The Voice Brasil 2019

Feira de Santana está mais uma vez no The Voice Brasil. Após o sucesso da feirense Paula Sanffer, que participou do programa global em 2015, e hoje é vocalista da Timbalada, é a vez da cantora Amanda Magalhães, que foi selecionada para o time da cantora IZA. Além de cantora, Amanda Magalhães é atriz (atuou no filme feirense “Porque eu te amei“), e desde cedo se dedicou ao serviço na Igreja por meio das artes. Participante do elenco de uma companhia de teatro musical cristã, a jovem de 25 anos se descobriu como cantora através dos personagens que interpretou ao

A Nova Lei feirense sobre apreensão de veículos

A Câmara Municipal de Feira de Santana promulgou nesta terça-feira, 06, a Lei Nº 346/2019, de autoria do vereador  Marcos Antonio dos Santos Lima, que dispõe sobre a apreensão de veículos automotores de duas e quatro rodas nas sextas-feiras, sábados, domingos, feriados e no último dia útil que anteceder a feriados em Feira de Santana. Nestes dias, a diária do pátio terá início no primeiro dia útil subsequente. Retirada de itens pessoais A lei ainda dispõe que ao proprietário(a) do veículo automotor comprovado com documento de identificação oficial com foto será permitido retirar os itens pessoais a qualquer momento após

O Jogo do Bicho em Feira: folclore, cultura e moralidade

– Seu Zé, me dê esse livro aí! Sonhei com umas coisas essa noite e quero ver o que foi – dizia Barriga apontando para o Grande Livro dos Sonhos, já desgastado e sujo de tantas consultas feitas diariamente.

Após olhar apertando os olhos (reclamava da necessidade de óculos que não tinha conseguido comprar com o salário do mês), afirmou definitivamente:

– É pavão! Venha marcar, Seu Zé. Cinco reais de pavão hoje! E traga uma cerveja! – e batia no balcão convicto da correta interpretação do sonho que teve.

Quem conviveu ou convive no ambiente de muitas bodegas em Feira de Santana já teve contato com cenas assim, onde o jogo do bicho torna-se objeto de especulações místicas, ambições econômicas, cálculos folclóricos ou simplesmente desculpa para tomar uma cerveja e socializar, nem que seja com Seu Zé e outros donos de botecos na cidade. “Vi Tonho semana passada. Hoje deu a placa do fusca 86 que ele tinha. Aquele que virou em indo pra Cabuçú na Copa de 94. Era pra ter jogado!”, lamenta o apostador do bicho, ávido por combinações que comprovem seu potencial de enriquecimento.

O Livro dos Sonhos

O fato é que, no Brasil, o jogo do bicho pode ser tomado como significativa referência das nossas contradições culturais. A loteria foi criada em 1892 pelo Barão João Batista Viana Drummond, fundador do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. A intenção por trás da ideia era nobre: o barão queria atrair mais gente para o zôo, compensando o corte de verbas do governo, que mantinha o lugar. Para alimentar toda a fauna, Drummond mandou imprimir o desenho de 25 bichos nos ingressos. Pontualmente às 5 da tarde, sorteava um deles. Quem tivesse a figura vencedora ganhava 20 vezes o valor da entrada.

O problema é que, dois anos depois, a quantidade de apostas por visitante do zoológico não ficou limitada a uma figurinha, fazendo com que se caracterizasse como jogo de azar, sendo proibido pela Prefeitura carioca um ano depois. Como sabemos, a proibição não teve sucesso, e o jogo do bicho se expandiu nacionalmente, popularizando os bicheiros, que, em vários casos, se uniram com grupos ligados ao tráfico de drogas e de armas, especulação imobiliária, prostituição, jogos eletrônicos, transporte clandestino e por aí vai.

Em sua tese de doutorado na UFPE, a pesquisadora Ana Maria Carvalho dos Santos Oliveira mostra um interessante relato de um colunista do Jornal Folha do Norte em 1951 (em 1944 a Lei de Contravenções Penais já existia, e proibia os jogos de azar), demonstrando preocupação com a proliferação do jogo do bicho na Festa de Santana:

“É uma vergonha o que está acontecendo nesta cidade. A urbe foi transformada em verdadeiro Monte Carlos. A Praça da Matriz dá a impressão de um cassino ao ar livre. E a lei federal que proíbe o jogo ainda está em vigor![…] O que está causando admiração é ter a comissão da Festa consentido na instalação de barracas para a exploração do jogo. A Igreja condena e combate a tavolagem”.

 

Em outro trabalho acadêmico, do pesquisador Carlos Alberto Alves Lima, mostra-se a crítica do semanário “O Coruja” (1956) sobre a presença do jogo do bicho em Feira:

“O jogo essa calamidade pública, esse câncer social, tem em Feira de Santana um campo profícuo. E enquanto o tempo passa, se alastra, mais livre se torna (…). De nada serve a polícia que não policia por ver desrespeitada a lei, por quem deveria fazê-la ser cumprida. E o jogo continua nas barbearias, nos pontos de ônibus, nos bares e principalmente nas bancas do Mercado Municipal, que se transformam em bancas receptoras, afrontando a prefeitura, por se tratar de um de nossos patrimônios (…)”

Jogo do Bicho em Feira

Num ponto de sua pesquisa, Carlos Alberto exibe a preocupação da Folha do Norte (1959) com os vínculos de poder estabelecidos pelo jogo do bicho:

“O jogo do bicho, cancro social, instituiu na Feira, em monopólio partidário, vive sob escancarada proteção da polícia. Da polícia e da desmoralizada situação política infelizmente dominante nesta desgraçada terra. Andamos certamente a clamar no deserto. Mas ninguém se iluda. A Feira é um município que se arruína e desagrega um município em decadência. Decadência territorial, decadência econômica, decadência política e principalmente decadência moral (…)”.

 

Feira de Santana, brotada do encontro de múltiplos viajantes e comerciantes de todas as partes do Brasil, parece ter especial vocação para os traços da cultura tupiniquim que foram caracterizados por Roberto da Matta, melhor do que ninguém, no clássico “Carnaval, malandros e heróis”.

Ele pontua que “É como se tivéssemos duas bases através das quais pensássemos o nosso sistema. No caso das leis gerais e da repressão, seguimos sempre o código burocrático ou a vertente impessoal e universalizante, igualitária, do sistema. Mas no caso das situações concretas, daquelas que a “vida” nos apresenta, seguimos sempre o código das relações e da moralidade pessoal, tomando a vertente do “jeitinho”, da “malandragem” e da solidariedade como eixo de ação. Na primeira escolha, nossa unidade é o indivíduo; na segunda, a pessoa. A pessoa merece solidariedade e um tratamento diferencial. O indivíduo, ao contrário, é o sujeito da lei, foco abstrato para quem as regras e a repressão foram feitos”.

Nesse sentido, o jogo do bicho é um elemento problematizador dessa disposição cultural do brasileiro e, em especial, do feirense.

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– Porra, Seu Zé! Joguei ontem Pavão e deu hoje. Era pra ter repetido o jogo! Sonho vale três dias! Me dê esse livro aí de novo…


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