As Feiras de Feira de Santana

Roça Sound

“Tabaréu Moderno”, o novo álbum do Roça Sound

“Tabaréu Moderno” é o terceiro disco do grupo Roça Sound. Lançado no último dia 15 de novembro, o novo álbum estava sendo esperado pelo público que acompanha o trabalho dos feirenses desde “Você Aguenta Quantos Rounds?”, de 2014. Formado por NickAmaro (DJ/ MC), Paulo Bala (MC), Dom Maths (MC) e o dançarino Edy Murphy, o Roça Sound explora sonoridades que vão desde a Cultura Nordestina, Rap, Dembow, Reggae, e o DanceHall, tendo o suingue como sua marca principal. Em “Tabaréu Moderno”, trazem nove faixas autorais e inéditas, com as participações da Orquestra Reggae de Cachoeira, Quixabeira da Matinha, Bel da

Precisamos louvar o Feira Noise

É preciso louvar com entusiasmo a edição de 10 anos do Feira Noise Festival, que ocorre nesse final de semana em Feira de Santana. Nem precisa gostar de rock ou de qualquer gênero musical, banda ou artista que se apresenta nos palcos do evento para reconhecer a capacidade inacreditável de um grupo de entusiastas de determinada cena cultural em manter de pé, em Feira de Santana, um festival que chama a atenção para além das fronteiras baianas. São mais de 30 atrações, de várias partes do Brasil, distribuídas em três dias no Ária Hall, o mais elegante e bem estruturado

Fartura & Ossos

“Fartura & Ossos” – O novo livro do poeta Silvério Duque

O músico, professor, crítico literário e poeta feirense Silvério Duque acaba de lançar seu novo livro: “Fartura & Ossos”, obra que o autor descreve como sua “lira dos quarent’anos”. O livro, que traz 25 sonetos compostos entre 31 de março de 2018 e 31 de março de 2019, é uma auto-homenagem aos 40 anos de vida do autor. Com desenho de capa do artista plástico Gabriel Ferreira, posfácio de Elpídio Dantas Fonseca e prefácio do próprio autor, com efeito, “Fartura e Ossos”, segundo Elpídio Fonseca, “remete a várias situações descritas em seus sonetos: a superabundância da vida vivida, da qual só

BRT de Feira cada vez mais longe

BRT cada vez mais longe

Com queda no número de passageiros, BRT fica mais longe de ser implantado em Feira Cerca de 10% da frota do transporte público de Feira de Santana deixou de circular, devido à queda no número de passageiros. Trabalhadores do setor também foram demitidos. Associação alertou a pouca demanda de passageiros para a implantação do BRT Em agosto de 2015, a Associação Feirense de Engenheiros (AFENG), apresentou parecer técnico sobre o resultado da análise do “Sistema BRT Feira de Santana” e alertou sobre o volume de passageiros no momento mais crítico do dia, cerca de 5 mil passageiros por hora/sentido. Mas

Banda Calafrio

“Hiato”, o novo single da banda feirense Calafrio

“Um estado de ceticismo quase que total, ausência de sentidos e porquês, um momento de niilismo. O pensamento vagueia pela morte mas em busca de vida”, descreve o guitarrista Pedro Patrocínio, se referindo à letra de “Hiato”, o segundo single de seu novo EP. “A existência dessa canção se dá num momento de reclusão, numa jornada solitária com um pouco de autodestruição e muito de autoconhecimento”, explica o músico. “Hiato” é uma das cinco faixas do EP homônimo que a banda irá lançar até o final deste ano. Em setembro, eles apresentaram ao público o single “Primitivos”, que também ganhou um videoclipe, disponível no

Apesar da expectativa, não choveu no dia de São José

O dia amanheceu com o céu muito limpo na Feira de Santana. Sem nuvens, a luminosidade estava esplendorosa. É que a luz já vai perdendo aquele tom metálico característico do verão e assumindo as cores suavemente alaranjadas do outono. Mais tarde, lá pela metade da manhã, começaram a surgir fiapos de nuvens, muito alvos, na orla que céu. Depois foram avançando aos poucos, encorpando-se, até, às vezes, encobrir o sol por alguns instantes.

O cenário passaria despercebido se não fosse pela data: 19 de março é dia de São José, padroeiro da agricultura familiar e das boas colheitas no semiárido nordestino. A sabedoria sertaneja aponta que, caso chova na data consagrada ao santo, é sinal de boa colheita e fartura mais adiante, nos meses de inverno. Por isso as procissões, as missas e as promessas.

Durante o dia, nas cercanias do rural feirense, o trabalhador investigou com apuro se a chuva desenhava-se, se no horizonte longínquo enxergavam-se sinais de mudança do tempo. As esperanças, porém, vão se renovar para os próximos dias, conforme reza a tradição.

Nos últimos dois anos a trovoada não veio no mítico 19 de março aqui na Feira de Santana. Mas isso não impediu que dias depois – logo no começo de abril – a chuva caísse com a regularidade necessária, garantindo colheita e fartura para quem plantou. Sobretudo em 2017, quando o município emergiu da seca infindável que arrasou a agropecuária nordestina.

Fartura

Dados do Censo Agropecuário de 2017 indicam que existem, na Feira de Santana, 6,6 mil estabelecimentos tocados por produtores individuais. Boa parte é composta por agricultores familiares, que extraem da terra – nos venturosos anos de chuva – o sustento da família. É essa gente que aguarda, com ansiedade, a trovoada no dia consagrado a São José.

No século XX a indústria, o comércio e os serviços arrebataram o protagonismo que o rural – particularmente a agropecuária – exercia na economia da Feira de Santana. Mas, mesmo assim, é indiscutível a importância do segmento para a geração de trabalho e renda para parte da população feirense, sobretudo aquela mais exposta à pobreza.

Chuva no campo é sinônimo de oferta maior e de mais diversidade nas feiras-livres da cidade e de preços mais em conta. É o que deseja o consumidor feirense – sobretudo nesses tempos de recessão seguida de crescimento magérrimo do Produto Interno Bruto, o PIB – e o que anseia o produtor rural. Um ciclo virtuoso, que favorece todo mundo.

Apesar das esperanças, o calor permaneceu intenso ao longo do dia. Noutros tempos, tanto calor era sinal de chuva farta mais adiante. Mas os tempos – e o planeta – mudaram. O que não mudou foi a fé do feirense do campo em São José.


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