Rio Jacuípe

São José das Itapororocas (Maria Quitéria): passado e presente

Os mitos fundacionais de uma cidade/civilização são sempre cercados de muitos personagens, estórias, acontecimentos, perseguições, guerras e muitas reviravoltas. No caso dos mitos fundacionais das cidades brasileiras quase todos são contados levando como ponto de partida a chegada do colonizador, a expulsão dos povos indígenas nativos e a construção de igrejas, estradas, fortes e pequenas povoações. O mito fundacional comumente conhecido da cidade de Feira de Santana é aquele ligado à história da doação das terras para a construção da capela em devoção à Sant’Ana no Alto da Boa Vista, por Domingos Barbosa de Araújo e sua esposa Ana Brandão,

Pá Rua?

Pá Rua?

Outro dia, peguei Robson. Não exatamente “peguei”, no sentido em que vossas consagradas cabeças maliciosas estão pensando. Eu não botei minha língua na boca dele. Robson é ligeirinho. Eu usufrui de seus serviços clandestinos de transporte alternativo. É sempre uma viagem andar com Robson. Porque ele é o mais atípico dos ligeirinhos. É o mais lento, mas o mais organizado. Ele transforma um Fox em minivan e leva 70 pessoas — confortavelmente. Para honra e glória de Oxalá, eu fui na frente. Sozinho. Uma raridade, às 7 da manhã no Parque Lagoa Subaé. Meu bairro não é dos mais populosos,

Rua Marechal em mão única

Feira (A)notada: Marechal em mão única e novidade na Câmara

Lulinha entrega o cargo de Líder do Governo Após alguns colegas vereadores manifestarem a insatisfação com o líder do governo na Câmara Municipal de Feira de Santana, o vereador Luís Augusto (Lulinha), do DEM, entregou o cargo durante discurso na Sessão desta terça-feira (11). 10 anos do Museu Parque do Saber No próximo dia 15 de dezembro, o Museu Parque do Saber Dival da Silva Pitombo estará completando uma década de existência. E, para comemorar, foi realizada na terça-feira (11) uma homenagem especial a todos os envolvidos com o projeto inicial. O evento contou com as presenças do prefeito Colbert

Tourinho Candidato

Tourinho candidato, cubanização de assessores e toma lá da cá

Tourinho Candidato Surgiu mais um nome interessado no Paço Municipal em 2020. O vereador Roberto Tourinho, atualmente filiado ao PV, confirmou ao site Acorda Cidade que tem discutido o assunto.  Com sete mandatos, Tourinho é um dos políticos mais respeitados de Feira de Santana e filho de um ex-prefeito, o advogado José Falcão da Silva, que morreu durante o exercício do mandato. Ele se junta a nomes como Fernando Torres, Zé Neto, Zé Chico, Colbert Filho, Angelo Almeida, Carlos Geilson e Targino Machado que também se movimentam para disputar a prefeitura feirense. Toma lá dá cá Ao colocar o cargo

O Rural Feirense

O rural feirense, segundo o último Censo Agropecuário (parte 1)

Foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) os números referentes ao Censo Agropecuário realizado em 2017. Os dados são essenciais para que os governos das três esferas – Federal, Estadual e Municipal – elaborem suas políticas, mas são também muito importantes para acadêmicos, estudiosos do tema, para a imprensa especializada e até mesmo para o cidadão que deseja se manter informado sobre o seu município. Uma leva de informações sobre a Feira de Santana já está disponível e pode ser consultada. Os pesquisadores, em suas andanças pelo rural feirense apuraram, por exemplo, que existem exatos 9.191 estabelecimentos

A escola que ensina o amor a Feira de Santana

Desde que iniciamos o Feirenses, em 2015, nos dedicamos à investigação sobre quais são os elementos culturais de relevância para Feira de Santana. A ideia sempre foi superar o aqui e agora (que já tem seu lugar em diversos veículos de comunicação na cidade), para alcançar reflexões sobre o que fomos, o que somos e o que seremos ou podemos ser. Não tem sido fácil, nem podemos dizer que nossos objetivos estão sendo alcançados, mas a busca por esse espaço tem sido muito prazerosa.

Entre as descobertas que tivemos, destaco o orgulho adormecido que nós, feirenses, nascidos ou não em Feira, temos da cidade. É verdade que não possuímos o ufanismo que o carioca tem da “Cidade Maravilhosa”, ou que Dorival Caymmi expressa ao falar da sua “São Salvador”, mas há um sentimento recluso, pronto para se manifestar tão logo descobrimos feitos positivos, elementos históricos relevantes ou perspectivas de mudanças virtuosas em Feira. Nosso sentimento de pertencimento ainda é difuso e pouco exaltado.

Não é difícil de compreender algumas causas desse impasse: somos uma cidade de estrangeiros, da gente que passa e vai; ou fica. Muitos não criam raízes, outros criam raízes nômades, que precisam ser replantadas em outras terras, a depender das circunstâncias da vida. Além disso, vivemos o dilema de estar entre o rural e o urbano. Cidade grande, que planta e vende mandioca nas suas principais avenidas. Cidade rural de São José das Itapororocas, Jaíba e demais distritos, mas que ostenta veículos de luxo cobiçados em todo o mundo.

Por fim, não esqueçamos as implicações de estar apenas a 100 quilômetros de Salvador, a capital do estado. Primeira capital do Brasil, pólo artístico e turístico internacional, uma gigante econômica, Salvador é sempre uma referência de comparação para os feirenses. A Micareta de Feira é bastante comparada com o Carnaval de Salvador. Lamentamos frequentemente os shows e apresentações que passam por lá, e não por aqui. E o cinema? Por que não sai um de lá e vem pra cá? Nesse passo vamos diminuindo e esquecendo o que somos, com a ânsia de ser uma cópia improvisada da capital que nunca seremos. Nem precisamos ser!

“Uma das experiências mais emocionantes que já vivi”

É nesse contexto reflexivo sobre nossa identidade que brota meu entusiasmo por uma iniciativa da Escola João Paulo I, o projeto “Vivendo Feira”, que incentiva alunos do Ensino Fundamental a conhecer a história de Feira de Santana, reconhecer as personalidades que contribuem com a cidade na atualidade e a pensarem criticamente sobre o futuro do município. Se é na infância que temos grande abertura para compreender nosso papel em meio à comunidade, e quando construímos nossa identidade, é importantíssimo que o amor pelo espaço de origem seja plantado, para que a colheita, no futuro, seja de cidadania crítica e consciente a favor da comunidade em que se vive.

No encerramento do projeto, ocorrido na última sexta (1/12), fui um dos homenageados pelos alunos da Escola, após ter sido biografado pelos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental. Uma das experiências mais emocionantes que já vivi, não só pelo reconhecimento ao trabalho realizado, principalmente aqui no Feirenses, que tem servido de fonte de pesquisa pelos alunos, mas por ter sido aluno do João Paulo da primeira à quarta série do primário (2º ao 5º anos atualmente).

Professoras Enedite, Cássia e Judinara

Professoras Enedite, Cássia e Judinara: três lideranças da Escola João Paulo I

No meu tempo, a escola era localizada na Kalilândia, e já possuía, nos anos 90, práticas muito criativas e marcantes para todos nós que lá estudamos. Foi lá que tive o primeiro jantar à luz de velas, com minha mãe, em uma homenagem feita no dia das mães. Através da Escola conheci o Observatório Antares e o Museu Casa do Sertão. Nos finais de ano, aprendíamos na prática que as ruas não serviam apenas para carros, pois desfilávamos celebrando o Natal para toda a cidade ver.

Lembro também das atividades no pátio da escola, onde ouvíamos instruções sempre antes da aula. Era comum termos as visitas cuidadosas das professoras Enedite, Cássia e Judinara às salas de aula, mulheres que persistem com o mesmo trabalho artesanal de formar seres humanos amplos em Feira de Santana. A todas elas, agradeço a oportunidade de devolver o que me entregaram, e parabenizo-as pela crença em Feira de Santana, e pelo brilhante trabalho de plantar em nossas crianças a semente de uma cidade melhor. Muito obrigado!

OBS: Um agradecimento especial à professora Suzete e sua turma, que me escolheram como homenageado e tiveram grande carinho em todos os encontros que tivemos.

 

Fotos de capa: Alexandre/JPI


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