As Feiras de Feira de Santana

O pintor feirense Cesar Romero

O pintor feirense Cesar Romero

Quem acompanha o cenário das artes plásticas da Bahia certamente já ouviu falar ou já se deparou com alguma obra do pintor Cesar Romero. O que nem todos sabem é que o artista plástico autor das “Faixas Emblemáticas” é feirense, nascido em 1950. “Dois fatos foram determinados em minha formação de artista plástico: a convivência com as feiras livres, sempre às segundas-feiras, em companhia do meu pai, e a criação do Museu Regional de Feira de Santana. Se eu tivesse nascido em outra cidade, muito provavelmente não haveria o artista que sou, nem esta obstinada escolha de brasilidade. Feira de

Quanto custa a Câmara de Vereadores de Feira de Santana?

Quanto custa a Câmara de Vereadores de Feira?

A Câmara de Vereadores é uma instituição importantíssima para qualquer município. Suas cadeiras são ocupadas pelos representantes políticos mais próximos à comunidade: os vereadores, eleitos principalmente pela capacidade de interlocução e liderança em determinados bairros e comunidades. Além de levar demandas da comunidade ao Poder Executivo, mantendo diálogo permanente com secretários, superintendentes e outros gestores, o vereador deve cumprir o papel fiscalizador das ações e decisões emanadas do Prefeito. Sem falar no papel de legislador e promotor de debates sobre temas de interesse da comunidade, fazendo com que os munícipes tenham participação ativa nas políticas públicas. Quanto mais os vereadores

Colbert proíbe atividades extraescolares

Colbert proíbe atividade extraescolar nas escolas de Feira

O Prefeito Colbert Martins, desde o final de outubro de 2018, resolveu cancelar todas as atividades externas com os alunos da rede municipal de ensino. A medida foi tomada em virtude da morte do estudante que se afogou durante um passeio escolar, em um sítio localizado no bairro Conceição. O passeio fazia parte de uma atividade em comemoração ao Dia das Crianças. Datas importantes Com a medida os estudantes ficaram de fora do Natal Encantado 2018 e do desfile do dia 2 de julho no distrito de Maria Quitéria. E neste segundo semestre não vão participar (se a proibição permanecer), de

Feira na próxima década

A Feira que se deseja para a próxima década (III)

Não é de hoje que a mudança do Terminal Rodoviário da Feira de Santana é tema nas conversas de muitos feirenses. Desde o início do século, nas campanhas eleitorais, candidatos a prefeito anunciam a intenção de transferir o equipamento. Até hoje nenhum passo foi dado. Mas tudo indica que, ano que vem, mais uma vez, nas eleições municipais, a questão vai ser abordada, sobretudo nos debates em emissoras de rádio e tevê, cujo clima é adequado aos anúncios bombásticos. Há um charme transformador, futurista, visionário, ao se tratar do tema. Os candidatos a prefeito em 2020 já devem estar de

João Gilberto

Bar feirense faz homenagem a João Gilberto

No último dia 6 de julho, morreu um dos ícones da Música Popular Brasileira, o baiano e juazeirense João Gilberto. Considerado o “pai da Bossa Nova”, João foi um dos mais reconhecidos artistas brasileiros em todo o mundo. Em 2017, a revista Rolling Stones resumiu bem a inventividade de João Gilberto: “Antes de João Gilberto, o violão era o complemento para o voz. Na música do mestre da bossa, voz e violão se tornam uma única entidade. Aparentemente simples, na verdade a técnica de João exibe uma precisão matemática.”   Em uma das raras entrevistas que concedeu, na década de

Além do “episódio do pó”, Câmara pouco tem o que mostrar

O brasileiro corre o risco de ver, nos próximos dias, um Congresso Nacional pejado de acusados de inúmeros crimes – sobretudo corrupção – eleger, de maneira indireta, o presidente da República que vai arrastar o país até as eleições de 2018. É o que está previsto na Constituição, dizem os doutos, os sábios da República. Alguns desses sábios, inclusive, se arvoram a afirmar – num alucinante surto de genialidade – que eleição direta, conforme muitos exigem, é golpe. Mesmo que seja aprovada uma proposta de emenda constitucional com esse objetivo.

Lembro que, em 2014, a chamada grande mídia exultou quando se exumaram as urnas daquelas eleições: desde 1964 não se elegia Congresso tão conservador, recheado pelas bancadas da bala, do boi, da bíblia e polvilhado por autodeclarados empresários. Os trabalhadores e seus representantes declinaram dramaticamente na Casa. Como se vê hoje, não havia tanto motivo para exaltação. Sobretudo sob a perspectiva criminal: mais de 300 vivem se explicando à Justiça. Em muitos casos, explicam o inexplicável.

“Janeiro começou com vereador preso, prefeito preso, gente tomando posse saído de carceragem de delegacia.”

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – hoje preso – era o onipotente presidente dessa Câmara dos Deputados. Sob sua batuta, Dilma Rousseff (PT) e o petismo foram expurgados. Como legado, o usufrutuário aprovou até mesmo uma pretensa reforma política, que, supostamente, tinha o objetivo de aprimorar o sistema eleitoral. Pelo menos era o que se afirmava para o grande público.

Parece que a coisa não deu muito certo. Janeiro começou com vereador preso, prefeito preso, gente tomando posse saído de carceragem de delegacia. Não faltou eleito em viagem ao exterior que, procurado pela polícia, retardou o retorno. Em suma, a festejada “onda azul” – lembram dela? Batizou o avanço conservador que se seguiu ao naufrágio do petismo, mas já foi esquecida – não passou de empulhação, como sempre.

Feira de Santana

Câmara Municipal de Feira de Santana

A Câmara Municipal da Feira de Santana pode ser considerada uma amostra de que, se houve melhora, ainda não foi sentida. Começa pela distribuição das bancadas: quase todo mundo é governista; afora a defesa do prefeito, espera-se pouco desses parlamentares: os elogios protocolares ao chefe do Executivo, alguns ataques ao governo estadual – ao qual fazem oposição – e, no mais, títulos, comendas e declarações de utilidade pública.

A oposição, por minúscula, até dispensa comentários. Mas ninguém poderá acusá-la de estar muito acima da média do legislativo feirense, não. Em pouco mais de um mês acaba o primeiro semestre e, nesses longos meses, nada de útil se extraiu dos debates estéreis que se arrastam das segundas às quartas pela manhã, para desconsolo do eleitor mais informado.

“Alguém, por exemplo, discute o desemprego? A precarização do mercado informal? A pobreza crescente no município que a crise econômica alavanca?”

O fato mais notório – um vereador acusar um suposto assessor parlamentar de lhe oferecer cocaína – até produz uma manchete apelativa, mas não é exatamente um tema relevante numa cidade que bordeja os 600 mil habitantes. Figura mais como algo pitoresco, inusitado, folclórico até, num legislativo que não tem lá grandes contribuições a apresentar.

Alguém, por exemplo, discute o desemprego? A precarização do mercado informal? A pobreza crescente no município que a crise econômica alavanca? Isso para ficar só nos temas econômicos. Que dizer da expansão urbana sem planejamento, dos indicadores da Educação Básica, do péssimo atendimento no sistema de saúde? Pelo jeito, são temas que não dizem respeito à Câmara Municipal.

Quem discute isso é um ou outro profissional de imprensa, visto como amargurado ou radical de esquerda. A imprensa, todavia, não pode – e nem deve – assumir um papel que cabe ao Legislativo.


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