As Feiras de Feira de Santana

Fotógrafas feirenses

3 mulheres fotógrafas feirenses que você precisa conhecer

O Brasil é o país onde uma mulher é vítima de estupro a cada 9 minutos. A cada 2 minutos uma mulher registra um caso de agressão tipificado na Lei Maria da Penha. Na política, a representatividade das mulheres brasileiras é ínfima: apenas 11,2% dos cargos parlamentares são ocupados por mulheres. No Afeganistão, a taxa é de 27,4%. Apenas esses dados são suficientes para afirmar que vivemos em uma sociedade machista, que reserva às mulheres um lugar marginal em seus diversos setores. Se considerarmos os estereótipos e as construções simbólicas em torno da mulher, e de seu corpo, teremos uma

O melodrama do BRT de Feira

O melodrama do BRT de Feira

Em discurso na Câmara Municipal de Feira de Santana, na manhã da última terça-feira (20), o vereador Roberto Tourinho (PV), disse que o BRT ganhou mais um novo capítulo. “O capítulo do melodrama BRT, que mais se parece com novelas mexicanas que se começa mais não sabe-se como termina”. Recuperação Judicial A Via Engenharia, responsável pelas obras do BRT, entrou com pedido de recuperação judicial em agosto de 2019. Mas não é apenas a Via que entrou com esse pedido. A empresa de ônibus São João, uma das empresas que vai operar o Sistema, já havia entrado com o pedido

10 bares com música ao vivo em Feira de Santana

10 bares para curtir música ao vivo em Feira de Santana

Em Feira de Santana circula o mito de que “não há nada para fazer” na cidade. Por isso costumamos trazer dicas e sugestões de atividades artístico-culturais que demonstram justamente o contrário: Feira é uma cidade intensa, com variada agenda cultural, principalmente nos finais de semana. Neste post trazemos a sugestão de 10 bares com música ao vivo em Feira de Santana, uma lista introdutória, que está muito longe de demarcar todas as possibilidades e opções musicais da cidade. Num levantamento modesto, podemos afirmar que Feira de Santana tem mais de 50 shows musicais por semana. Selecionamos apenas os bares que

Centro de Abastecimento de Feira de Santana

O Centro de Abastecimento vai ser privatizado?

De acordo com o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Marcos Lima (Patriota), vários empresários querem administrar o Centro de Abastecimento de Feira de Santana. A informação foi repassada durante a sessão desta terça-feira (13), na Casa da Cidadania, ao responder acusações do vereador Roberto Tourinho.   Abandonado Tourinho disse que a situação do Centro de Abastecimento é de abandono, e elencou os seguintes problemas: lixo, mau cheiro, escuridão, tráfico de drogas, prostituição, lama e até homicídios ocorrem no local. Cheiro de Privatização De acordo com Tourinho, o poder público municipal não faz absolutamente nada, diante de tantos problemas:

Cantoras negras feirenses

Cantoras negras são destaque na música de Feira de Santana

Um olhar cuidadoso sobre as expressões musicais em Feira de Santana torna obrigatório reconhecer o fundamental protagonismo das mulheres em nossa música. Para começar, Feira de Santana é uma das poucas cidades do Brasil que tem seu hino composto por uma mulher: Georgina Erismann, no início do século XX, fez o “Hino a Feira”, numa época em que a mulher sequer tinha direito a voto. Uma das mais tradicionais expressões culturais de Feira de Santana, reconhecida internacionalmente, é capitaneada por uma mulher: Dona Chica do Pandeiro é a matriarca da Quixabeira da Matinha, exercendo um papel de liderança que remonta

A atriz e artista plástica feirense Edelweiss Dias

É surpreendente a quantidade de feirenses que exerceram grande papel e influência no cenário artístico nacional, mas que são ignorados pela cidade. Um exemplo importante desse esquecimento é a trajetória da atriz e pintora feirense Edelweiss de Almeida Dias.

Nascida em 1917, Edelweiss participou de clássicos do cinema nacional, a exemplo de Astros em Desfile (1942), Moleque Tião (1943) e Caminho do Céu (1943), estrelados por artistas como Grande Otelo e Emilinha Borba. Ambos foram dirigidos por José Carlos Burle, e produzidos pela Companhia Atlântida Cinematográfica, que àquela época era a maior produtora de filmes do Brasil.

No Teatro, fez parte de um momento histórico, integrando espetáculos como Pelleas e Melisanda (1943), com texto de Maurice Maeterlinck, traduzido por Cecília Meireles, e Vestido de Noiva (1943-5), com texto de Nelson Rodrigues, considerada uma obra de referência do teatro brasileiro.

Edelweiss Dias

A carreira como pintora

Em 1954, com 37 anos, abandonou a carreira de atriz para dedicar-se à pintura. Realizou exposições em várias partes do Brasil, como São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro e Salvador.

Em 1960 realizou uma exposição em Feira de Santana, sobre a qual disse o seguinte, em entrevista para o jornal Correio da Manhã: “Foi a melhor e mais emocionante de todas: ver meu povo, minha gente, minhas antigas colegas – eu eu celebridade local!”.

Edeweiss

Na mesma matéria (no 5º caderno do Correio da Manhã) , Edelweiss comenta sobre sua obra, permeada por elementos católicos:

Correio da Manhã: Bom dia, Edelweiss. Como é que você pinta seus santos?

Edelweiss: Escutando os seus diálogos com os anjos e com Deus. Rezando. Eu pinto santos como quem reza.

Correio da Manhã: Como é que você pinta suas lendas?

Edelweiss: As lendas ouço da infância. Tiro dos livros, convivo com elas e elas penetram em mim e passam para o pincel.

Correio da Manhã: Como é que você pinta suas gentes?

Edelweiss: Ah! Os tipos populares são impacto de emoção, numa calçada qualquer. Os amigos, menos o físico que a atmosfera que os cerca, que fazem deles os amigos…

A pintora feirense foi casada com o jornalista, escritor, tradutor e arqueólogo austríaco Fred Madersbacher, que imigrou para o Brasil em 1948. Ao Correio da Manhã ele contou uma história curiosa sobre o início da esposa nas artes plásticas:

“Tudo começou no dia que, chegando em casa, o seu marido Fred notou que haviam retirado a porta de um armário.

— Onde está a porta? Indagou.

Edelweiss mostrou-lhe o óleo (retrato de São Jorge em azul, vermelho, roxo e verde, numa bonita composição) suspenso da parede principal da sala de visitas:

— Está ali, querido — respondeu Edelweiss.

Fred não perdeu tempo: no dia seguinte apareceu em casa com uma dúzia de telas.

— Afinal de contas — comenta ele — alguém da casa tem que cuidar dos armários.”

Nessa época morava no Rio de Janeiro, onde tinha o hábito de receber os amigos para servir vatapá e ouvir jazz: “é música que gostou, que me chega ao coração, é música primitiva, e sou absolutamente primitiva”, diz, ainda ao Correio.

A seguir, algumas obras de Edelweiss de Almeida Dias:

Pintura de Edelweiss

Pintura de Edelweiss

Pintura de Edelweiss

Pintura de Edelweiss

Pintura de Edelweiss

 

Os quadros sobre o São Francisco

Edelweiss pintou uma série de quadros tendo as lendas do Rio São Francisco como tema, um sucesso de crítica à época (década de 1960). A seguir, trecho do texto publicado pelo editor da revista “O Cruzeiro”, Accioly Neto, em ampla matéria sobre a obra da artista plástica feirense:

“Essa é Edelweiss, que faz parte de uma curiosa estirpe de artistas plásticas brasileiras modernas, que começa com Tarsila e Noêmia e continua com Djanira. Natural de Feira de Santana, a mais baiana das cidades, que guardou intacta sua tradição sertaneja, mesmo aproximada do litoral irresistível, pelas estradas do progresso.

Edelweiss é um temperamento artístico que se formou na erudição, e, paradoxalmente conservou ao receber a revelação um pouco tardia da pintura, pureza e simplicidade primitivista, indispensável para captar integralmente toda a misteriosa força poética existe nas lendas do São Francisco.

Iniciando sua carreira de pintora no encantamento dos motivos sacros – da maneira direta como sente a presença dos santos, a alma simples do povo – fácil foi o caminho que a levou, irresistivelmente para o clima do São Francisco, para fixar com seu pincel, numa maravilhosa corporificação, a doce presença das Três-Marias, as assombrações de Romãozinho, do Caboclo D’Água e do Mão-Pelada”.

Edelweiss na revista "O Cruzeiro"

Nas pesquisas que fizemos para a publicação deste artigo encontramos referências a um filho e um neto de Edeweiss, mas nada sobre as circunstâncias e data do seu falecimento.

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