Rio Jacuípe

História e arquitetura da Prefeitura de Feira

Um dos prédios mais imponentes da Feira de Santana é aquele que abriga a Prefeitura Municipal. Fica num dos mais emblemáticos cruzamentos da cidade, entre as avenidas Getúlio Vargas e Senhor dos Passos. Naquele trecho muito da vida política e cultural da cidade ganha expressão: feiras – de livros, de saúde -, apresentações musicais, atividades de lazer e, sobretudo, manifestações políticas acontecem defronte à prefeitura, no estacionamento encoberto pelas sombras generosas das árvores. O prédio começou a ser erguido há quase 100 anos: no dia 11 de setembro de 1920 o Conselho – a versão da época da Câmara Municipal

Baile Surrealista 2018

Baile Surrealista em Feira – Edição Especial

Feira de Santana receberá mais uma edição do Baile Surrealista, uma releitura de um baile que aconteceu na Europa na década de 1970, envolvendo artistas e membros de sociedades secretas. O evento pretende discutir as relações entre Arte e Esoterismo através da Música, Artes Plásticas, Dança e Oficinas. Nesta edição, ocorrerá o relançamento do livro “Sob o véu de Sírius”, que reúne autores de várias cidades baianas numa série de poemas inspirados na Heptarquia e no simbolismo mágico do número 7. Além disso, o Baile fará um tributo ao poeta e bruxo britânico Kenneth Grant, um dos nomes mais influentes do ocultismo contemporâneo.

Avenida Presidente Dutra - Feira de Santana

Avenida Presidente Dutra em Feira: origens e modificações históricas

Existe um argumento de autoridade nas cidades brasileiras que sempre é evocado por pessoas que foram as primeiras a povoar determinada localidade. É comum encontrarmos pessoas que normalmente soltam um bom: “quando eu cheguei aqui era tudo mato!”. A frase mais do que nos mostrar que estamos diante de uma pessoa que acompanhou o desenvolvimento daquela rua, avenida, bairro, cidade desde os primórdios. Serve também para nos lembrar que o espaço urbano está em constante modificação: seja pela construção de novas edificações ou pela derrubada de prédios antigos, instalação de iluminação pública, construção de túneis, passarelas, viadutos etc. Sob qualquer

Casarão Froes da Mota

Casarão da Fróes da Motta tem inspiração alemã

Daquilo que ainda resta do rico patrimônio arquitetônico da Feira de Santana se destaca o casarão do intendente Eduardo Fróes da Motta. O imóvel fica na rua General Câmara, aquela que liga as praças Fróes da Motta e Nordestino, no centro da cidade. A construção é antiga e imponente: quem transita ali, pela rua estreita, não deixa de se impressionar com o porte, com os detalhes caprichados, com o padrão difícil de se ver no município, mesmo na primeira metade do século passado. Não é para menos: quem teve a iniciativa da construção foi Agostinho Fróes da Motta, em 1902.

Larissa Rodrigues

Entrevista com Larissa Rodrigues [Feirenses TV]

O debate sobre a representatividade das mulheres vem crescendo em diversos setores da sociedade, principalmente naqueles onde o homem manteve-se hegemônico ao longo da história (notadamente lugares de poder). Na política, por exemplo, o Brasil ostenta a marca de ter apenas 10,5% de mulheres no Congresso Nacional, mesmo tendo uma população 51% feminina. Nas artes o cenário não é diferente: segundo a professora de literatura e feminista feirense Larissa Rodrigues, de um total de publicações no mercado editorial brasileiro, apenas 30% obras são de autoras mulheres. É nesse contexto que surge o projeto “Leia Mulheres”, um projeto que tem como

O colégio que formou 8 prefeitos de Feira

Em boa parte dos levantamentos históricos sobre Feira de Santana, o Colégio Santanópolis aparece como um grande marco na educação do município. Localizado no quarteirão por onde passam a Avenida Getúlio Vargas e a Rua JJ Seabra, na região do atual Estacionamento do Karoá, o Santanópolis nasceu em agosto de 1932, e funcionou até o ano de 1985.

O Santanópolis foi o primeiro colégio ginasial do interior da Bahia, dando a Feira de Santana o status de referência educacional. Para receber alunos de outras regiões do estado, tinha um internato localizado na Avenida Senhor dos Passos. O vídeo abaixo mostra algumas imagens do colégio:

 

O fundador do Santanópolis

Quem fundou o colégio Santanópolis foi Áureo de Oliveira Filho (que aparece no vídeo acima). Áureo era dentista e político, sendo vereador e depois deputado estadual por três legislaturas.

Na biografia resumida de Áureo Filho no site da Academia de Educação de Feira de Santana, é apontado não só como fundador do Santanópolis, mas também como participante do processo de criação da Universidade Estadual de Feira de Santana e do Observatório Astronômico Antares. A tão conhecida praça do bairro Tomba recebe o nome dele.

Quem estudou no Santanópolis

Um dos alunos do Colégio Santanópolis foi ninguém menos que Joselito Falcão de Amorim, que assumiu a prefeitura no lugar de Francisco Pinto, deposto pela Ditadura Militar em 1964 (em 2014 a Câmara de Vereadores devolveu simbolicamente o mandato de Chico Pinto). Veja o histórico escolar de Joselito Amorim no Santanópolis (que à época ensinava latim e francês a seus alunos):

GInásio Santanópolis

Mas Joselito Amorim não foi o único ex-prefeito de Feira de Santana estudou no Colégio Santanópolis. Outros 7 governantes da cidade passaram pelo colégio: João Durval Carneiro, Newton da Costa Falcão, José Falcão da Silva, Colbert Martins da Silva, José Raimundo Pereira de Azevedo, e o atual prefeito, José Ronaldo de Carvalho.

Um colégio das elites

Alunos do Colégio Santanópolis

Alunos do Colégio Santanópolis. Foto: Blog Santanópolis

Em sua tese de Doutorado, a pesquisadora Sandra Nivia Soares de Oliveira aponta o Colégio Santanópolis como o reduto escolar das elites de Feira de Santana:

“Atingindo as elites de Feira, através do Secundário e da Escola Técnica de Comércio; às moças de família, através do Curso Pedagógico e outras camadas da sociedade – por meio de Cursos profissionalizantes de curta duração e dos aqui intitulados de cursos livres –, o Colégio Santanópolis garantiu durante anos uma capilaridade em diversos setores da sociedade feirense que impacta Feira de Santana ainda hoje, uma vez que muitos dos seus egressos ocupam lugares de prestígio em vários setores da sociedade”.

No estudo, Sandra mostra que o Santanópolis tinha como proposta “um ensino para as elites de caráter propedêutico, que formaria os futuros dirigentes da nação”. Ela destaca como os egressos do Santanópolis tiveram protagonismo no ensino superior que seria instalado em Feira de Santana:

“Quando da implantação do ensino superior em Feira de Santana, a presença de egressos do Santanópolis, professores e estudantes, foi significativa a começar pelo Dr. Áureo Filho que fazia parte de um grupo juntamente com João Durval Carneiro, Geraldo Leite e Hugo Navarro (SANTOS, 2011) quando iniciaram a discussão e as articulações em torno do projeto que objetivava, inicialmente, a implantação de uma faculdade de medicina, o que não ocorreu. Maria Cristina Oliveira de Menezes – a Marinita, filha de Dr. Áureo – foi a primeira coordenadora do Curso de Ciências de Feira de Santana”.

O Estado Santanópolis

Mesa com "autoridades" do Estado Santanópolis

Mesa com “autoridades” do Estado Santanópolis. Foto: Blog Ginásio Santanópolis

O blog dos ex-alunos do Colégio Santanópolis narra uma interessante experiência realizada pelo colégio, que atesta a orientação educacional do estabelecimento de ensino. Trata-se do “Estado Santanópolis”, que era composto de um governo eleito pelo voto direto de todos os estudantes para os seguintes cargos:

  • Governador;
  • Deputados;
  • Prefeito do Curso Noturno;
  • Vereadores do Curso Noturno;
  • Prefeito do Curso Diurno;
  • Vereadores do Curso Diurno.

A campanha eleitoral, a eleição e a apuração era semelhante à vigente na época. Havia título de eleitor e até urnas cedidas pelos juízes eleitorais da cidade.

O Estado Santanópolis tinha secretarias: Econômico/Financeira, Indústria e Comércio, Justiça e Segurança, Esporte e Lazer. Também havia o Banco Santanópolis: “crianças de infantil pagavam despesas na cantina com cheques”.

A Memória do Santanópolis

Ainda hoje ex-alunos do Colégio Santanópolis se encontram, chegando a reunir mais de 500 pessoas entre ex-funcionários, ex-professores e ex-alunos.

Quem quiser mais detalhes sobre a memória do Colégio, é imprescindível ler a tese de Sandra Nivia Soares (UFBA), “Um modelar estabelecimento de ensino: o Colégio Santanópolis na cidade de Feira de Santana“. Além disso, muitas imagens, histórias e informações são encontradas nos blog Santanópolis e Ginásio Santanópolis.

 


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