Rio Jacuípe

Porque eu te amei

O que ‘Porque eu te amei’ tem a falar sobre Feira?

Já passado alguns meses do lançamento do filme feirense de Tiago Rocha, que gerou assunto durante um bom tempo e lotou praticamente todas as sessões enquanto esteve em exibição, o longa, embora já fora dos cinemas, ainda tem muito que falar. E não me refiro exclusivamente aos temas abordados no enredo. Como violência doméstica, abuso, estupro etc. Mas, também, sobre o nosso olhar sobre Feira. Porque eu te amei é uma espécie de grito da classe artística feirense. Uma produção independente, envolvendo profissionais e entusiastas da cidade, lançada por aqui de maneira honrada e reconhecida – principalmente por quem duvidou.

Irving São Paulo

O ator feirense Irving São Paulo

Provavelmente você conhece o rosto do ator Irving São Paulo, filho de um histórico cineasta brasileiro, Olney São Paulo. Irving, nascido em Feira de Santana, estrelou grandes novelas brasileiras, a exemplo de “Bebê a bordo”, “Mulheres de Areia”, “A Viagem” e “Torre de Babel”. Irving nasceu em 26 de outubro de 1964, em Feira, onde iniciou a atuar em peças de teatro. Faleceu precocemente, aos 41 anos de idade, vítima de pancreatite necro-hemorrágica. Recentemente o Vídeo Show dedicou uma edição do quadro “Memória Nacional” ao ator feirense, mostrando sua trajetória e múltiplos talentos (em especial a música):   A seguir,

Jogo de Nonô

O jogo de Nonô

“Tira a mão do ovo, Nonô!”, protesta Toinho Cabeção quando o coroa de 86 anos chega para almoçar. É assim todo início de mês: Nonô chega na lanchonete do Centro Mandacaru apoiando uma mão na bengala e a outra oscilando entre o bolso e algumas coçadinhas no meio da calça. Ele não terceiriza o saque da aposentadoria, tanto por vigilância orçamentária quanto por deleite ritualístico: após ir ao banco, compra os remédios do mês, apara o cabelo que lhe resta e arrisca tornar-se milionário nos seis números da mega. “Jogar na mega pra onde, Nonô? Vai gastar esse milhão com

Colbert e Targino

Targino e Colbert trocam farpas

Sem informação Após a população do Conjunto Viveiros realizar uma manifestação por conta da falta de médico no Posto de Saúde da localidade, o prefeito Colbert Martins disse o seguinte: “não tinha informação que o posto médico do Viveiros estava tanto tempo (cerca de sete meses) sem médico”. Targino cobra afastamento da Secretária de Saúde e do Procurador do município O Deputado Estadual Targino Machado (DEM), durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa da Bahia, nesta terça-feira, 21, cobrou do prefeito de Feira de Santana, o afastamento da Secretária Municipal de Saúde, Denise Mascarenhas, e do Procurador do município, Cleudson

Roberto Mendes

Roberto Mendes faz show na Cidade da Cultura

Um dos maiores artistas que a Bahia produziu estará em Feira de Santana na próxima quinta-feira: o cantor, compositor e ativista santamarense Roberto Mendes faz show na Cidade da Cultura, um dos principais espaços culturais de Feira de Santana. Mendes apresentará um show com tema caro a Feira de Santana: “A chula do Recôncavo com o Canto do Sertão”. Situada entre o Recôncavo e o Sertão, Feira tem a oportunidade de se reconhecer na apresentação de um notável defensor do Samba da Bahia, e do Samba antes do Samba, como ele diz, se referindo à Chula. Ele caracteriza a Chula

As mulheres que perderam o Bolsa Família em Feira

Em recente texto para o Feirenses, o articulista André Pomponet apontou a redução da concessão do Bolsa Família para beneficiárias feirenses. De acordo com a publicação, que utiliza dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, “em agosto de 2016 foram repassados, precisos, R$ 4.887.287, ou seja, quase R$ 4,9 milhões. Em julho de 2017 – com o flagelo da crise inflexível – o montante total caiu para exatos R$ 3.410.388, ou R$ 3,4 milhões. Significa R$ 1,476 milhão a menos em um ano, sem descontar a inflação”.

Considerando esses dados, fomos verificar o dilema de quem teve o benefício suspenso, principalmente mães de família, e apuramos as possíveis razões para tamanha redução do Bolsa Família em Feira de Santana.

“Eu não usava o Bolsa Família para utilidade pessoal e particular nenhuma, e sim para suprir a necessidade de minha filha, que hoje tem cinco anos. Sou desempregada, não moro com o pai de minha filha e o dinheiro que perdi hoje me faz muita falta”, diz Andréa Matos, feirense de 33 anos, que teve seu benefício suspenso.

André Matos

André Matos: “não moro com o pai de minha filha e o dinheiro que perdi hoje me faz muita falta”

“Falaram que eu perdi por falta de atualização de cadastro, mas ainda não sei que pendência é essa que não me informaram e ainda dificultam o atendimento. Na verdade, o que está me deixando muito preocupada é porque não sei como suprir a falta que esse valor vai fazer a minha rotina”, diz ela.

Já Eryka Bittencourt, de 26 anos, afirma que há três meses entrou em uma loja da cidade para tirar férias de uma amiga, e acabou perdendo o benefício.

Eryka Bittencourt

Eryka Bttencourt: “nessa cidade o pobre e negro vem perdendo espaço a cada dia”

“Esse trabalho não é nada que possa suprir o valor que eu recebia. Mesmo porque não existe certeza de que vou ficar na empresa e já foi cortado. Sei que muitas vezes pessoas que não precisam possuem a Bolsa, mas infelizmente nesse sistema de corte quem paga é quem mais precisa.”

A falta de informação sobre o cancelamento é comum entre as ex-beneficiárias: “Eu acredito que tenha perdido por esse motivo, mas na verdade ainda não sei, o acesso aqui é muito complicado e perdemos um dia inteiro para conseguir uma informação. É duro de falar, mas a realidade é que nessa cidade o pobre e o negro vem perdendo espaço a cada dia, eu mesmo passo por essa humilhação porque preciso, caso contrário não colocava meus pés aqui”, diz Eryka, tentando resolver a pendência na unidade da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social que cuida do Bolsa Famíliia.

Ajuda no orçamento familiar

Carla Marinho - Bolsa Família

Carla Marinho: “Não supre todas as necessidades, mas ajuda em alguns gastos”

Carla Marinho, 27 anos, estudante e mãe de dois filhos – um de sete e o outro de seis anos – possui o benefício há sete anos, e fala que ajuda muito nas despesas das crianças.

“Não supre todas as necessidades, mas ajuda em alguns gastos. A falta de recadastramento e muitas vezes a falta de necessidade fazem com que o benefício seja cortado. Além de precisar cumprir o papel de mãe, elementos como vacina, peso da criança, acompanhamento com médico pediátria e frequência escolar são critérios para manter o benefício. Para a mãe é necessário estar em dia com a Justiça Eleitoral. Venho sempre aqui para ver se tudo está normal, porque se não atualizarmos os dados e informações o Bolsa Família é suspenso”, diz ela cuidadosa com o risco de perda da Bolsa.

Segundo o Secretário de Desenvolvimento Social do Município, Ildes Ferreira, há quatro motivos para o cancelamento do benefício. “O primeiro é o não recadastramento anual, o segundo é no caso de filhos com menor idade não ter frequência escolar. O  programa exige a freqüência na escola. O terceiro é o caso das crianças de até sete anos que não fazem acompanhamento da saúde, e o quarto fator, que aí é de responsabilidade nossa, é o lançamento desses dados no sistema, tanto da saúde quanto da educação. A gente está correndo atrás para não permitir que famílias se prejudiquem por isso”, diz ele.

Ildes reconhece a importância do benefício para os munícipes: “deixa as famílias sem benefício, o que pode aumentar suas dificuldades. Vale lembrar que são famílias que vivem em situação de extrema pobreza. Qualquer trocado que recebe ajuda. Então a suspensão ou bloqueio traz essa dificuldade”.

O problema é que, como constatou nossa reportagem, o cancelamento está diretamente ligado à fidedignidade das informações prestadas – seja pela Prefeitura, seja pelos próprios beneficiários (que muitas vezes sequer sabem por que a Bolsa foi suspensa). Dessa zona cinzenta, o resultado é o prejuízo social e econômico para Feira de Santana.


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