Novas regras para utilizar som

As novas regras para utilização de som em Feira de Santana

Foi publicada no Diário Oficial de Feira de Santana uma nova Lei tratando sobre a emissão de sons urbanos, fixando níveis e horários em que será permitida a emissão, além de possibilitar doação, leilão e destruição de equipamentos sonoros apreendidos. De acordo com a Lei 3.736, os níveis máximos de sons e ruídos, de qualquer fonte emissora e natureza, em empreendimentos ou atividades residenciais, comerciais de serviços, institucionais, industriais ou especiais, públicas ou privadas, sons e ruídos causados por máquinas, motores, compressores ou geradores estacionários, assim como em veículos automotores são de: 60 db (sessenta decibéis), no período compreendido entre

Cadastramento Biométrico

A interminável espera para o recadastramento biométrico

Tenho visto, com frequência, reclamações de eleitores sobre a dificuldade de fazer o cadastramento biométrico no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) aqui na Feira de Santana. O serviço, pelo que percebo, é péssimo nas duas modalidades: seja tentando agendar horário pela Internet, seja comparecendo ao posto para enfrentar filas monumentais e ficar, horas intermináveis, aguardando atendimento, exposto ao sol, à chuva e a uma humilhação injustificável. Adepto moderado das novas tecnologias – e de um mínimo de comodidade – tento, há semanas, agendar o bendito atendimento, sem sucesso. Invariavelmente, as vagas são todas preenchidas em alguns poucos minutos: nunca consegui, sequer,

Superlotado, Conjunto Penal segue esquecido no noticiário

O Conjunto Penal de Feira de Santana abriga, no total, quase dois mil internos. São, precisamente, 1.912 pessoas encarceradas na unidade prisional. Há muito mais gente do que vaga: oficialmente, existe capacidade para abrigar 1.356 internos. A quantidade de presos excedentes, portanto, está em exatos 556. É gente suficiente para lotar um desses presídios modernos, nos quais se alojam menos internos. Note-se que, recentemente, a unidade penal feirense passou por uma ampliação. Os números acima são oficiais e integram um balanço recente, referente ao mês de julho, divulgado pela Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e Ressocialização, a SEAP. No interior,

Por que as motos de baixa cilindrada inundam o trânsito de Feira

Em São Paulo-SP, existe uma motocicleta para cada 15 habitantes. Em Salvador, são 22 habitantes para cada motocicleta. Em Aracaju, para cada motocicleta, há 10 habitantes. Em Feira de Santana, são apenas 6 habitantes por motocicletas. A quantidade de motonetas, motos dirigidas pelo condutor em posição sentada, em Feira de Santana chama ainda mais a atenção. No ranking nacional, de acordo com dados do DENATRAN (2016), Feira fica atrás apenas de seis capitais na quantidade de motonetas. Estamos à frente de metrópoles como Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Fortaleza. São mais de 18 mil motonetas contabilizadas no município. Para

Maryzélia no Encontro

Cantora feirense Maryzélia participa do Encontro com Fátima [vídeos]

A sambista feirense Maryzélia conquistou mais um degrau de visibilidade nacional nesta terça, com a participação no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo. Maryzélia cantou com Pretinho da Serrinha, cantor, compositor, instrumentista que tem parcerias em sua carreira com grandes nomes da MPB, a exemplo de Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Seu Jorge, Marisa Monte, Lulu Santos, Dona Ivone Lara, Caetano Veloso e Teresa Cristina. Veja alguns momentos da participação de Maryzélia:  

Quem foi Georgina Erismann

Georgina Erismann é uma das primeiras mulheres que se destacaram em Feira de Santana por causa de sua produção artística. Nascida em 27 de janeiro de 1893, Georgina era poetisa, musicista, compositora, professora, pianista e declamadora. Filha de família abastada (sua mãe era a professora e também pianista Leolinda Bacelar), foi matriculada no Instituto de Música da Bahia, em Salvador, onde deu continuidade aos estudos de piano. Lá, juntamente com as amigas Zulmira Silvany e Georgina Silva, criou a Sociedade Auxiliadora do Conservatório de Música, na qual eram ministradas aulas de canto e piano. Mais tarde, para dar continuidade aos estudos musicais, foi para o Rio de Janeiro, onde estudou harmonia e composição.

Após essas experiências, Georgina retorna a Feira de Santana, realizando várias apresentações lítero-musicais no Teatro Santana, em benefício do Clube Coreógrafo Dois de Julho, Asilo Nossa Senhora de Lourdes, Albergue Noturno, Igreja Senhor dos Passos, Igreja Senhor do Bonfim e em beneficência a crianças órfãs. Sempre requisitada para dar aulas de piano em domicílio, resolveu abrir um curso em sua residência.

Georgina Erismann

Onde hoje fica situado o Edifício Mandacaru, na Rua Conselheiro Franco, funcionava a Pensão Universal, de propriedade dos pais de Georgina. Ali se tornou um lugar privilegiado, pois além de pousada de viajantes, vendedores e comerciantes que visitavam Feira de Santana, era ponto de encontro social. Na sala de música da Pensão, muita gente comparecia para ouvir Georgina executar ao piano partituras musicais de sua autoria. Foi lá que o hóspede alemão Walter Tudy Erismann, de quem Georgina herdou o sobrenome, conheceu-a, iniciando um namoro que foi transformado em matrimônio no dia 8 de setembro de 1926.

Formada em Magistério, Georgina Erismann foi nomeada professora de música e canto da Escola Normal de Feira de Santana (onde hoje fica o Centro Universitário de Cultura e Arte, o CUCA). Na comemoração do primeiro aniversário da Escola Normal, sob sua regência, um coral de alunas cantou pela primeira vez o Hino à Feira, atualmente adotado oficialmente pela cidade.

Em agosto de 1936 foi indicada pelo Governador do Estado, Juraci Magalhães, para representar oficialmente a Bahia na Feira Artística, Industrial e Comercial realizada na cidade de Campinas, São Paulo, em homenagem ao centenário de nascimento do maestro Carlos Gomes, nascido naquele município.

Em 13 de junho de 1937 foi inaugurada a Escola de Música de Feira de Santana, anexa ao Instituto de Música da Bahia, tendo como Diretora Georgina Erismann. Em 1939 a Escola foi transferida para o Ginásio Santanópolis, mesmo ano em que Georgina e seu esposo partem para o Rio de Janeiro, onde passam a morar. Em 7 de fevereiro de 1940 a artista Feirense publica sua última obra, o poema “Solicitude”, que se constitui uma espécie de despedida de Feira de Santana. No dia 23 de fevereiro do mesmo ano, Georgina tem um mal súbito e falece em sua residência, sendo sepultada no Rio de Janeiro. Os meios de comunicação do país registraram o seu falecimento. Georgina não teve filhos.

Leia o poema “Solicitude”, de Georgina Erismann:

Solicitude

Na tarde cinza que vai morrendo…
uma onda de saudade,
de repente, me invade.
E o pensamento, prendendo-se à distância,
forma um inquérito emotivo:

Que será feito dos meus pobres,
dos probrezinhos com que eu dividia
o pão da minha alegria?
Que será feito do meu gato Baiano,
sem ouvir mais o meu piano?
E da nossa constante lavadeira,
misto de mármore e de carvão?
Estará florida minha cajazeira,
e os pássaros que nela saltitavam,
ainda aí cantarão?
Estará viçosa a hera da parede,
e que fim levaria minha rede?

Quanta lembrança tenho,
de tudo que foi meu …
Como a gente quer bem,
a Terra onde nasceu!

Abaixo, o poema “Carnaval”:

Carnaval

A mascarada passa alegre sacudindo
os guizos do Prazer, o pó das Amarguras…
e descuidosa vai, cantarolando e rindo,
assim alerquinando, em gestos e mesuras.

São manequins da Vida, o gozo repartido,
numa “revanche” doida às suas desventuras…
e nada mais querendo e nada mais sentindo,
que exaltação fugaz de rápidas loucuras.

Tristonha humanidade, espelho de “Pierrot”!
engana o teu martírio, assim ele enganou:
tocando soluçante um velho bandolim.

Repete a tua farsa, extravagante e fina,
que neste mundo ingrato, a nossa pobre sina
é bem um Carnaval esplêndido e sem fim.

Nos poemas “Inclemência” e “Chuva”, Georgina tem a seca como tema:

Inclemência

O coração da terra anda chorando,
com saudades da chuva…
Por mais que o céu prometa,
dos olhos das estrelas,
as lágrimas não caem…
O sol devora tudo.
Tornou-se cor de bronze,
a mata, que era verde.
Calaram-se todas as fontes…
Morreram os passarinhos…
Há fome pelas estradas.
Há sede pelos caminhos.

***

Chuva

A chuva é ouro que cai do céu
para o mealheiro do pobre…
e para as veias anêmicas da terra febril
a chuva é sangue.

Há murmúrios cantantes de águas claras.
Há promessas de fartura nos milharias.
Andam pintores invisíveis retocando
o quadro verde da campina,
desbotado pelo sol…
e a natureza agora, toda fresquinha,
lembra uma moça convalescente,
a quem deram lindos vestidos novos.

Uma das intérpretes das composições de Georgina Erismann é a cantora Inezita Barroso, que canta “Seresta”, no vídeo a seguir (programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura):

 

Para finalizar, o Hino à Feira, grande composição de Georgina Erismann:

 

Após seu falecimento, foram prestadas várias homenagens a Georgina Erismann: a Escola de Música de Feira passou a denominar-se Escola de Música Georgina de Mello Erismann. Em novembro de 1951 a Câmara de Vereadores de Feira de Santana denomina uma rua com seu nome: Rua Professora Georgina Erismann. Em 1981, uma Escola Estadual de 1º Grau no bairro Jardim Acácia foi denominada Georgina de Mello Erismann. Foi também construído um monumento em homenagem à musicista, na Avenida João Durval.

 

 

Texto feito com informações da Academia de Educação de Feira de Santana, do livro “Georgina Erismann”, de Carlos Alberto Almeida Mello e do Dicionário MPB.


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